li no ar líquido, contentamento.
Contentamento é a ida
De uma lama do interior para o mar,
Passadas as casas - passados os promontórios -
Até à profunda Eternidade -
Criado como nós, entre montanhas,
Pode o marinheiro entender
A intoxicação divina
Da primeira légua longe da terra?
(Emily Dickinson)
24.3.06
18.3.06
Li no Jardim de Luz.
Ouvindo o som do divino discurso proclamado
"bem-aventurados os que choram agora
pois esses serão consolados"
muito desejamos chorar nossos pecados
mas os olhos de pedra
e a dureza de coração nos impedem
nem lacrimejar podemos
Por isso Senhor
tendo amolecido primeiro pela penitência
no nosso coração a fonte da sua dureza
derrama em seguida abundantemente
por dom da tua graça
torrentes de lágrimas em nossos olhos
O Dom das Lágrimas - orações - antiga liturgia cristã - Joaquim Félix Carvalho e José Tolentino Mendonça.
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17.3.06
Agora que Ben Harper regressa de novo com BOTH SIDES OF THE GUN, fica aqui das Roses From My Friends:
the stones from my enemies
these wounds will mend
but i cannot survive
the roses from my friends
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10.3.06
entretanto, fiquemos por estes versos com Jim: Touch Me:
C'mon, c'mon, c'mon, c'mon now
Touch me, babe
Can't you see that I am not afraid?
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3.12.05
30.11.05
(2) Tornai-vos dia claro
(3) Afastai-vos de mim.
(4) Ó sombras que bailais e anunciais alegria
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29.11.05
26.11.05
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
das palavras de Madre Teresa: «No es tanto lo que hacemos cuanto el amor que ponemos en lo que hacemos lo que agrada a Dios.»
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15.6.05
Lá fui atrás, Tim, dos meus vinis azuis. E pensava sobretudo nisto:
Man-erg.
The killer lives inside me; yes, I can feel him move.
Sometimes he's lightly sleeping in the quiet of his room;
but then his eyes will rise and stare through mine,
he'll speak my words and slice my mind inside.
Yes, the killer lives.
The angels live inside me, I can feel them smile;
their presence strokes and soothes the tempest in my mind
and their love can heal the wounds that I have wrought.
They watch me as I go to fall;
well, I know I shall be caught
while the angels live.
How can I be free?
How can I get help?
Am I really me?
Am I someone else?
E para ajudar à festa, republico então:
«Através da história de controlo do exílio e da restauração nós encontramos em diversos textos bíblicos e pós bíblicos um sub-tema maior: a libertação chegará através de um tempo de intenso sofrimento, algumas vezes referido como “voto messiânico”» (Wright, Desafio de Cristo, 87)
Porque, Tim, sem que eu perceba grande parte dos seus contornos, se o caniche lida com a rejeição de um modo alusivo, os últimos posts vão chamando a liberdade que para mim é e será um tema para além da nossa compreensão.
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11.6.04
No ar líquido.
Itinerário de um jardim.
azáleas
amores-perfeitos
rosas
hera
malmequeres
malvas
ervilhas-de cheiro
maravilhas
frésias
violetas
brincos-de princesa
cedro dourado
laranjeiras
jarros
loendro
hortências
narcisos
chorina
alfazema
alecrim
dálias
sica
"ivónomus japónica"
camélias
coroas imperiais
buganvília
videira
e as outras que só o coração sabe o nome.
Cristina Tavares.
No ar líquido e para o ar líquido.
Em nome da Abelha -
E da Borboleta -
E da Brisa - Amen
Emily Dickinson.
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Via mail, a minha amiga Sónia Coimbra, a propósito do 10 de Junho, enviou-me o seguinte soneto de Camões. Se por ele confessou ter-se encantado, eu percebi este encanto na dificuldade dos últimos três versos.
Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.
Ditoso seja quem, estando ausente,
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porque, inda que se tema de mudanças;
Menos se teme a dor quando se sente.
Ditoso seja, enfim, qualquer estado
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.
Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.
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27.5.04

Não brinquem com as palavras
contem as gotas da chuva
e digam-me o que sou!
Onde está a luz?
Mostrem-me o caminho
até mim.
A concepção deste post - a conjugação desta imagem e deste poema é de C. Ascensão Paredes do prima desblog; o poema é também dele... Obrigado. O sentimento que este obrigado não mostra foi meu por momentos. Agora, é nosso.
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19.5.04
Após pedido nosso, Frederico Mira George do saudades de antero permitiu-nos publicar:
é verdade que sim,
a gentileza cultiva-se,
como tudo o que é bondade e tudo o que nos agride,
esse é o desafio destes dias que vêm, destes que já vivemos e são futuro.
ser um pouco mais, um ponto que seja mais - delicados.
somos tão diferentes, todos,
é um facto.
tão diferentes que nem percebemos como todos,
sem excepção, mesmo um pequeno insecto,
apenas deseja a felicidade
e, por isso, tão iguais em tudo o que verdadeiramente é do coração.
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10.5.04
Uma pequena palavra
unindo-a a um pedaço de papel
é como um íman
que pronuncia a beleza.
......
Uma pequena palavra
é como musgo
macio
no meio dos pinhais.
Encostamos a cabeça
no esplendor da sua sombra.
......
Uma pequena palavra
pousa-nos no peito
e logo parte.
Carregamos
para sempre
esse imponderável toque.
.....
Uma pequena palavra
grave
que transportamos
como líquido ardente
ou dor imensa.
Pudesse a boca florescer.
.....
Uma pequena palavra
segura um menino pela ponta dos dedos
e quando ele fala
a dádiva
espalha-se na claridade.
Cristina Tavares
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8.5.04
No longo caminho para a liberdade
Que muitos associam
A ocasião solene
A padrões,
Outros monumentos
Banda
Fanfarra
O Bispo
O chefe do gabinete
Posters
E informação detalhada na televisão.
Antes que sejam
Mais ou menos esquecidos
E apenas crianças
Os celebrem,
Há pequenos gestos
Que.
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18.4.04
Tu és a minha bengala.
Não és.
Tu és a minha bengala.
Não és.
Tu não és a minha bengala.
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15.4.04
C.A.P. atribui-nos o prémio medicinal do Palavras em Férias. Agradecemos. E atribuímos: um dos melhores poemas do Prima Desblog é:
Ela mora do outro lado do rio,
digo àqueles que me perguntam
onde vou a pé todos os dias...
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4.4.04
É uma desgraça ou uma bênção.
É uma desgraça ou uma bênção.
Uma bênção ou uma desgraça.
Uma desgraça ou uma bênção.
É uma desgraça a carência.
É uma bênção a carência.
É a carência desgraça.
É desgraça a carência.
Bênção.
Como daquela vez.
Outra vez.
Outra. Outra.
Maldição.
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28.3.04
Na Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004, posted by mário : 11:10 no companheiro secreto: A oração de Efrém, o Sírio [a. 373])
Senhor da minha vida
afasta de mim
o espírito do ócio
da tristeza
do domínio
e as palavras vãs.
Concede ao teu servo
o espírito de castidade
de humildade
de perseverança
e a caridade nunca falte.
Sim, meu Senhor e meu Rei
concede-me ver meus pecados
e não julgar o irmão.
Tu és bendito
nos séculos dos séculos.
Amén.
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5.2.04
Totalmente incapaz de traduzir com alguma correcção estes versos de W. H. Auden deixo-os em inglês:
about
catastrophe or how to behave in one
what do I know, except what everyone knows -
if there when Grace dances, I should dance.
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