A justiça é inata.
16.5.08
5.11.07
Não somos a não ser, a partir, de um grupo a que pertencemos. Os laços que unem os grupos estão frágeis.
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5.11.05
Alasdair MacIntyre, A short history of ethics – a history of moral philosophy from Homeric age to the twentieth century, Notre Dame, Indiana, 1998. Mais do que uma sucessão de autores e teorias morais, o que se pretende aqui é tentar articular autores e teorias em três momentos significativos: primeiro: na antiguidade, de Homero a Aristóteles, de Aristóteles aos autores do helenismo e aos da Idade Média; segundo: nos séculos que trazem para a ribalta o individualismo e que passa por autores como Maquiavel, Hobbes, Locke e Kant, e que deixa marcas em Kierkegaard, Hegel e Marx; no terceiro: na contemporaneidade marcada pelo emotivismo, pelo prescritivismo, e pela filosofia analítica. Em cada período tenta-se articular as teorias morais com o tempo, as sociedades, em que foram expostas. E ver como jogam. É conhecida a tese do autor que não há pensamento moral sem pensamento social. É conhecida a sua preocupação com o modo como vemos e vivemos a moralidade hoje. Por isso, fica aqui uma longa citação que tenta exemplificar e sintetizar o modo como o autor vê o estado de coisas em que encontra hoje a coisa moral:
«Discutindo a sociedade grega, eu sugeri o que pode acontecer quando uma forma de vida moral bem integrada quebra. Na nossa sociedade os ácidos do individualismo corroeram para o bem e para o mal durante quatro séculos as nossas estruturas morais. Agora, nós vivemos não só com uma mas com várias moralidades bem integradas. Com o aristotelismo, com a simplicidade do primitivo cristianismo, com a ética puritana, com a ética aristocrática da consumação, com as tradições da democracia e do socialismo que deixam marcas no nosso vocabulário moral. Através de cada uma destas moralidades existe proposto um fim ou fins, um conjunto de regras, uma lista de virtudes. Mas os fins, as regras e as virtudes diferem. Para o aristotelismo, vender tudo o que se tem e dá-lo aos pobres seria absurdo e fraco de espírito; para o primitivo cristianismo, o homem tem de passar pelo buraco da agulha que é a porta da entrada no Céu. Um conservador católico deve tratar a obediência à autoridade como uma virtude; um socialista democrático que siga Marx considera esta atitude como servilismo e vê nisso o pior dos vícios. Para o puritanismo, a frugalidade é uma virtude maior, para o aristocrata tradicional, a frugalidade é um vício; e assim por diante.
Disto se segue que podemos encontrar dois tipos de pessoa na nossa sociedade; aqueles que falam através de alguma destas moralidades que sobrevivem e aqueles que estão fora dela. Entre os que aderem a uma destas moralidades rivais e entre os aderentes de uma moralidade e os aderentes de nenhuma não existe um tribunal de apelo, nenhum padrão neutro e impessoal. Para os que falam através de uma dada moralidade, a conexão entre facto e valor é estabelecida em função do significado das palavras que usam. Para os que falam de fora, aqueles que falam de dentro aparecem como afirmando meramente expressões imperativas que expressam o seu próprio modo de ver e as suas escolhas privadas.» (266)
p.s. tradução livre.
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15.12.04
Moral comum. Adaptado de ROMA, terça-feira, 14 de dezembro de 2004 (ZENIT.org). Busca de fundamentos de uma «moral comum». O cardeal Joseph Ratzinger e o presidente do Senado italiano, Marcello Pera, estão convencidos da necessidade da colaboração entre católicos e crentes em outras religiões ou não-crentes «para voltar a encontrar uma moral comum». O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé lançou um apelo para que se redescubra «o conceito comum de uma razão que nos una» durante um debate público centrado nas raízes cristãs da Europa. Propôs a redescoberta da lei natural como base para uma ética comum:
«Temos de voltar a estudar a lei natural – talvez falte outro nome, não sei –, mas é necessário encontrar o fundamento para individualizar responsabilidades comuns entre católicos e leigos [não-crentes ou que não inspiram a ética na religião], para fundamentar uma acção que não só responda à acção, mas também ao dever e à moral». O cardeal alemão recordou que a lei natural é independente da fé: «A fé pode ajudar a encontrá-la, mas não depende desta», esclareceu. «A tese é que a cultura leiga, quando se separa das raízes, converte-se em dogmática e perde sua força moral», deste modo, insistiu, «a razão converte-se em funcional e técnica, perdendo suas faculdades morais», e «sem capacidade moral a liberdade converte-se em uma caricatura de si mesma». «Hoje se pensa que, se “se pode” fazer algo, então “se deve fazer”. Neste caso, a liberdade se faz absoluta e deixa de ter critérios morais», expressou com preocupação.
Por sua parte, o presidente do Senado, Marcello Pera, especialista em Karl Popper e professor de Filosofia da Ciência na Universidade de Pisa, baseou sua análise em uma radiografia do mal-estar que a Europa experimenta. «Dá-se um mal-estar político em uma Europa dividida em suas relações com os Estados Unidos, com Israel, com a atitude que deve assumir ante o terrorismo e o despertar do Islão», constatou. «O mal-estar é também social, acrescentou: imigração, segurança, multicultura entendida como agregação, mal-estar intelectual, relativismo segundo o qual todas as culturas e as civilizações são equivalentes e não podem hierarquizar-se, linguagem politicamente correcta na qual a palavra “melhor” está proibida, etc.». «Dá-se também o mal-estar espiritual e uma crise de identidade que surgiu já antes da guerra e do terrorismo», indicou o presidente do Senado. «A Europa não sabe tutelar sua própria identidade, não sabe defender-se. A tolerância se converte em indiferença; a Europa quer o diálogo, mas não sabe pronunciar o pronome “eu”, pretende ser sábia e anciã, mas já não reconhece os fundamentos de sua suposta sabedoria...».
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