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30.4.07

Henri Lubac, Catholicisme - les aspects sociaux du dogme, Cerf, Paris: livro que é o que o título indica.

12.4.07

Uma apologética cristã. O cristianismo confrontado com o budismo: Henri de Lubac, Aspects du Bouddhisme, Seuil.

Henri de Lubac, La rencontre du bouddhisme et de l’occident, Aubier – quase toda a história.

1.3.07

Leio: La vie Érémitique d’après la doctrine du Bienheureux Paul Giustiniani por Dom Jean Leclercq.

19.12.06

Contemplação num mundo de acção de Thomas Merton é outras coisas e tem outras intenções, mas também é, ou assim pode ser lido, um "manual de psicologia do crente" e do crente que é confrontado com instituições religiosas. A crise de identidade, a imaturidade, o que faz a identidade e a maturação, o jogo entre a opção solitária e a comunhão, a necessidade de assumir em tempo certo opções e de arcar com as consequências, são tópicos deste livro. Curiosidade e muito mais do que isso: a ênfase dada à subalternização da “intelectualização” do questionar e do responder. Sofremos em excesso com a “intelectualização” das questões e com a procura “pensativa” de respostas.

5.12.06

Montanha dos Sete Patamares. Merton. E lá está; adiei o mais que pude a leitura de Merton. Agora, ando a ler a sua Montanha.

10.2.06

Uma Vida de Jesus, de Shusaku Endo, contemporâneo romancista católico japonês. É conhecido o longo fascínio das tentações no deserto, entretanto, interpretadas de diferentes modos. Aqui: «pessoalmente, penso que, enquanto Jesus fazia os Seus «exercícios espirituais» na solidão do deserto, a dois passos do mosteiro de Qumram, os monges não deixariam de O colocar numa situação de conflito ideológico. Porventura tentaram mesmo aliciá-Lo para o seu grupo. Jovem ainda, olhos doridos, devia por certo atrair as atenções do próprio superior religioso e dos seus principais colaboradores. Lendo atentamente o relato bíblico, a tentação em que o demónio O queria fazer cair cifrava-se nesta insinuação: «Busca a salvação terrena para o povo e dar-te-ei em recompensa todo o poder deste mundo». Era isso mesmo, dito porventura de outro modo, o que os essénios do mosteiro de Qumram visionavam para o seu próprio futuro.» (páginas 34- 35) – Isto é: interpretação interessante por colocar as tentações sobre terreno histórico.

12.11.05

No Hidden God de Lucien Goldmann, o trajecto que vai de Agostinho a Marx, o pensamento que dá conta da relação entre dois mundos, o que temos e o que deveria existir, é descrito em função da tentativa marxista de inscrever a utopia no mundo; a meio, tem um momento importante em Pascal, pois, Pascal aspira ao mesmo tempo a aceitar e a rejeitar o mundo, aspiração que pode talvez possa ser descrita como uma aspiração que coloca Deus fora do mundo e o mantém debaixo do Seu olhar.

13.6.05

Nos Possessos, Dostoievski, foi há muito assinalada uma escrita sinfónica. Que é conseguida porque o autor faz oscilar todas as vidas entre os pólos do orgulho e do amor. Por isso, parece que andam na mesma vida. Que vivem a mesma história. Mesmo quando as vozes mostram dissonâncias e divergências.

11.6.05

Nos títulos de Dostoievski, uma coisa me fascina: a literalidade. O Jogador é mesmo jogador. Crime e castigo são mesmo crime e castigo. Humilhados e ofendidos são mesmo humilhados e ofendidos. Os Irmãos são mesmo irmãos.

3.5.05

H. Urs von Balthasar, Théologie de l’histoire, Plon, Paris, 1955. Para Balthasar, Cristo é quem e aquilo que permite ler a história. A história que está para trás, o passado de que dá conta o Antigo Testamento. A história que está para a frente, a história da Igreja. Na história, Cristo realiza a vontade do Pai. Vertical e horizontalmente. Horizontalmente, porque Cristo cumpre a vontade do Pai expressa no Antigo Testamento e insere tal vontade na vida futura dos homens. Verticalmente, porque Cristo encarna a descida da vontade do Pai até nós. Mas se Cristo realiza a vontade do Pai em dois movimentos históricos, um vertical e outro horizontal, tem também o seu tempo próprio. O tempo e a história de Cristo são para Baltasar um tempo e uma história onde o desejo de domínio dos acontecimentos é substituído por um abandono à sequência redentora marcada por três momentos fundamentais: a encarnação, a Paixão e a Crucificação. A partir desta dualidade, vontade de domínio e abandono, Balthasar lê a história posterior da humanidade. Por um lado, marcada pelo tempo da fé, da esperança e da caridade, por outro, pelo tempo em que a humanidade se afasta de Cristo, tempo de descrença, desespero e crueldade. Esta atenção à história e ao tempo leva Balthasar a dar imensa importância à paciência, que surge definida neste livro como a característica fundamental do cristão. A paciência, virtude maior do cristão, consiste, para Balthasar, na constante espera do Paraíso, sem revolta ou desespero.

3.3.05

Alvin Plantinga, God, Freedom, and Evil, Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids/Cambridge, 1977. A proposta deste livro é simples: dar conta da racionalidade da crença teísta. A leitura é complicada. Disso somos avisados, pelo próprio autor: é preciso tempo, paciência e trabalho. Muito disto porque alguns dos problemas centrais da religião, o problema da relação de Deus com a liberdade, e o problema da relação de Deus com o mal, são tratados na linguagem da filosofia analítica e daí o constante recurso à lógica e à argumentação. Se este é um livro de filosofia, pretende ser um contributo a uma temática que corre áreas não filosóficas. Nas palavras do autor: «claro que este tópico – a racionalidade da crença teísta – não está restringido à filosofia ou aos filósofos. Joga um importante papel na literatura – no Paraíso Perdido de Milton, por exemplo, nos Irmãos Karamázov e em algumas novelas de Thomas Hardy. Este mesmo tema pode ser encontrado na obra de autores recentes, por exemplo, Gerard Manley Hopkins, T. S. Elliot, Peter de Vries, e talvez, John Updike. Pode ser difícil, se não impossível, dar uma clara definição de uma aproximação filosófica em oposição a uma aproximação literária do tema. E também desnecessária. Um caminho melhor para sentirmos a aproximação filosófica passa pelo exame de exemplos representativos. Este livro é um tal exemplo.» (Introdução, 3).

14.2.05

Paul Johnson, História do Cristianismo. Fornecido por Marcus Pimenta, para quem pretenda uma primeira visão deste livro tem aqui um link.

8.2.05

G. K. Chesterton, Santo Tomás de Aquino, Edições co-redentora, Rio de Janeiro, 2002. Aqui se define o catolicismo em função de uma noção que adormeceu e que hoje parece adormecida: a Criação. Para Chesterton, esta noção permite diferenciar o catolicismo de outras confissões cristãs. A Criação obriga a ver o mundo como uma obra boa, o mal como secundário. Por isso, a noção de Criação serve como base para uma atitude optimista, que entretanto não deve ser confundida com um qualquer pateta tudo vai correr bem. Se para Chesterton, este optimismo é o que melhor caracteriza o Catolicismo, para Chesterton, São Tomás representa então aquilo que melhor o configura, na medida em que se a Encarnação não perde saliência em São Tomás, a Criação ocupa no seu pensamento de São Tomás um lugar predominante. Pela Criação, o Católico é não só obrigado a reconhecer o mundo como algo bom, mas a pensar o corpo e os sentidos afinados para dar conta do mundo e para no mundo escutarem a verdade.Por aqui, Chesterton advoga polemicamente que Lutero nunca poderia ser tomista e que assim se compreende a sua filiação em Agostinho. Mantendo este registo polémico, Chesterton afirma que o que se passou com a Reforma, a ênfase na Graça de Deus, pode tornar secundária a responsabilidade que cabe a cada um dos homens.
P.S. Um agradecimento especialíssimo a Marcus Pimenta. Ele sabe porquê.

Paul Johnson, A history of christianity, Touchstone Book, New York, 1995. Não é fácil, é impossível, descrever aqui tudo que este livro cobre. A longa história contada nesta História dita a impossibilidade. No entanto, alguns dos seus traços mais salientes passam por relatar a relação da Igreja com o Poder, cultural, político e económico, ao longo de dois milénios. E fazer sentir sobretudo os efeitos negativos – e dizer isto é pôr aqui muitíssimo eufemismo – das opções imperialistas das diversas Igrejas, do Catolicismo, do Protestantismo, do Anglicanismo, e so on. Por isso, aqui, aqueles que habitualmente atacam a acção da Igreja no tempo têm vasto pasto para satisfazer birras e convicções, aqui, os que acreditam no Cristianismo e nas suas diversas modelações comunitárias e culturais têm assim uma forte possibilidade de fazer um curso por correspondência para testar a firmeza da sua fé. Não se sai deste livro como se entrou, mesmo se for abandonado a meio. Podemos esquecê-lo. E poderemos não querer rever uma longa história à luz da matriz humanista de Erasmo. Mas no fundo é isso que positivamente Johnson nos propõe: pensar a compatibilidade do Cristianismo com um certo modo de humanismo. Por isso, a ler, etc., etc., e tudo resto… e com uma última recomendação, vão que com este livro na mão vão “ver que dói!”

5.1.05

Sanders, A verdadeira história de Jesus, Notícias, Cruz Quebrada, 2004. Este livro vive num registo de rigor e também por causa disso, dada a natureza problemática do assunto, a história da vida de Jesus, num registo de alguma cautela. Colhemos aqui informações acerca do que pode ser dito acerca da vida de Jesus, e que podem ser sustentadas com segurança suficiente. Que viveu, quando viveu, quando começou o seu Ministério, que teve discípulos, e, por exemplo, o que se pode saber do processo que O conduziu à morte. Outras informações contextualizam a Sua vida no ambiente social e político da época e outras contextualizam o Seu pensamento em função do pensamento religioso que lhe era próximo. Assim, não é de estranhar que Geza Vermes seja trazido às páginas da Verdadeira História. E que haja um enfoque no Judaísmo de Jesus. Contudo, se Jesus é aqui claramente colocado na longa tradição que o antecede e o forma, é mostrado naquilo que dela é desviante. Assim, o livro remete para o Desafio de Jesus de Wright e para algumas das conclusões que aí são tiradas. A consciência da Sua autoridade no que diz e no que faz. Mas se em Wright estas assumem algum carácter polémico pela ênfase que tomam, então uma boa sugestão de leitura será a de ler os dois livros em contraponto.

10.12.04

Alain Decaux, O aborto de Deus, Quetzal, Lisboa, 2004. Para quem queria conhecer um pouco mais a vida de São Paulo. Para quem queira perceber que o cristianismo não é um bloco. Para quem queria perceber que desde o início a história da Igreja foi marcada pela diferença e pelo conflito. Para quem nunca se tenha apercebido da verdadeira dimensão temporal, do tempo que afinal acabou por demorar o que julgamos como a súbita missão de São Paulo.

6.12.04

Alasdair MacIntyre, Marxism and Christianity, Notre Dame Press, 1984. Obra primeira do pensamento de MacIntyre, depois posta de lado – porque Alasdair passa a viver debaixo da influência de Aristóteles e depois debaixo da influência de São Tomás –, tenta abrir pistas para uma síntese entre marxismo e cristianismo. O texto não é fácil. Começa por considerar possível a tradução e a secularização da mensagem cristã. Afirma esta tradução e esta secularização com origem nos trabalhos de Hegel e Feuerbach. E vê a continuação desta estratégia nos primeiros trabalhos de Marx.
Nestes dá conta de uma antropologia que se vive de um cristianismo secularizado, fornece a Marx o crivo pelo qual Marx lê o seu tempo, fornece a Marx as orientações que lhe permitem perspectivar o futuro. A partir daqui, MacIntyre coloca esta antropologia em tensão com a leitura económica e a futurologia social marxista, e acaba por dizer que o marxismo não foi capaz de reactualizar o modo como vê a natureza humana, cooperativa e criativa, sobretudo face às variações sociais que surgiram a partir da segunda década do século vinte.
Ainda assim, advoga a necessidade de uma reactualização do marxismo, já que o considera a única visão social global que o homem contemporâneo tem disponível para dar conta da sua vida. Por isso, insurge-se contra o liberalismo. É, entretanto, nesta aposta de globalidade, e nesta recusa do pensamento e da prática liberal que podemos ver grande parte do MacIntyre posterior, na medida em que se anuncia aqui o seu desejo de encontrar uma alternativa à cisão contemporânea entre ética e política e sociologia.

4.9.04

No meio de (Jean Delumeau (Dir.), As grandes religiões do mundo, Editorial Presença), no meio de um bom artigo sobre o Islão por Azzedine Guellouz, encontrei um excerto: «Uma vez que comprometa a continuidade do ser na sua integridade física e a fortiori psíquica, um exercício espiritual não atinge o seu objectivo e vai até contra ele: a oração que esgota o devoto, como a generosidade que acarreta a ruína do doador ou a frustração dos seus próximos, é susceptível de excluir o individuo da comunidade daqueles que podem praticar a devoção e a esmola; pior ainda, pode fechar o coração, por amargura à caridade: “a melhor das esmolas é a que deixa desafogo. Começa por aqueles que tens que sustentar.”» (315)

11.7.04

Robert Louis Wilken, Early Christian Thought – seeking the face of God –, Yale University Press, New Haven & London, 2003. Dando conta do primeiro pensamento cristão, Wilken di-lo na espiral que vai da res – a coisa de que as Escrituras falam – ao texto e do texto à res. O que é dizer que é uma reflexão que procura partir dos textos bíblicos e que é a partir desses textos que é dito tudo o que há para dizer. Assim, se há que tornar claro em que possa consistir o livre arbítrio ou tornar claro qual a função das paixões na vida humana, o horizonte do trabalho intelectual toma como fonte máxima de inspiração aquilo que os textos bíblicos dizem sobre o assunto, mesmo quando o que dizem é aparentemente contraditório. Depois, há que confrontar o que assim é obtido com a experiência religiosa não só das comunidades cristãs nascentes, como a experiência pessoal de cada um dos pensadores. Assim, aqui, assumem particular importância os pensadores que tomam para o seu labor intelectual uma característica peculiar: a res – a coisa – de que falam é apenas a res – a coisa – que conhecem.