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20.5.08

Bem está aí – disse, apresentando o trabalho. Depois hesitou... ia dizer “não sei fazer melhor”, disse: - não sei fazer pior

12.11.07

Era o caso. De algum modo não queria o modo como eu poderia cuidar dele.

27.9.07

Ela é bela, alheada – resplandecia –, quando caminhava e sentia a beleza, na

13.7.07

Na sala, depois do salto, o gato saiu do outro lado da cabeça. Por vezes ele não existia quando pensava.

17.1.07

Um cigarro num cinzeiro largado aceso fumegando sozinho... Devemos ser duros com os vícios. Eu sei. Mas não ao ponto de abandoná-los… É demasiado triste. Demasiado indiferente.

12.12.06

na caixa do supermercado, cheio de pressa, com vontade de levar tudo à frente, a pressa era tanta que saquei antes de chegar a minha vez de pagar da carteira; à minha frente, o senhor ia pagando; eu, ao dar pela falta do cartão, exclamei: esqueci-me do cartão; o senhor de idade perguntou: quer que lhe empreste dinheiro?

9.10.06

Por trás do muro que corta rente a estrada e não deixa espaço para o passeio, nem para os peões, os castanheiros mandam ouriços abaixo... Aí, ele, alheado, com os pés, procura castanhas... Os carros desviam-se e passam.

7.9.06

comi um magnum clássico sentado no pequeno muro da estação de serviço da avenida da Boavista; o capacete estava pendurado no guiador da mota; os clientes iam metendo gasolina

8.6.06

… da percepção e das cores, sem muita dificuldade poderia ser o título deste pequeno texto, pois nele podemos ler o que a Dona Rosa me disse, apoiada nos longos anos da sua intensa sabedoria: não devias ter comprado sofás dessa cor, sujam-se todos; deviam ser pretos ou castanhos; ao que me vi obrigado a retorquir: sujos ou não, gosto dos meus sofás brancos… - brancos, não, – disse-me ela – beges ...

24.4.06

Hoje, enquanto os carros passavam, perto do meio-dia, um camião fez altear o voo do pombo. Eu continuei ao volante. Por um momento, senti-me feliz por ter conseguido vê-lo esticar as asas.

10.3.06

Procuro, é canção, de fado, fadista nacional, que ouvi, melhor, fui surpreendido, porque apareceu no carro, à noite, à chuva, na via rápida, no escuro, no rádio, pouco depois da ponte por cima ficar para trás, ali, antes da curva, antes da recta, da curva à direita para a ponte da Arrábida, quando o automático procurava estações sem ruído, uma voz masculina, nostálgica, perdida que declarava amar sem medo, ou, beijos sem medo, dele ou dela, não sei. Fiz correr o Google. Diversas combinações. Pouco dá. Podem tentar. Não deu nada. Não tem mal... Era bom que aparecesse. Não apareceu. Mas ainda está aqui. Continuarei, no entanto, a procurar.

8.3.06

É uma obrigação. Pela manhã, sei lá, sete horas, sete e um quarto, sempre antes das sete e meia, não digo, por isso, que a regularidade seja kantiana, não sei, está sempre antes de mim, quatro coisas traz sempre ao café em que acordo. O chapéu, como hei-de descrevê-lo? – Um chapéu francês, parecido com os chapéus dos gendarmes franceses, pala esticada para a frente. A idade que não se nota, o que se pode ver na cara de lua cheia, sorriso largo, e a incomensurável boa disposição que irradia, come, anula qualquer agrura. Terá perto de sessenta e cinco anos. E entre uma notícia e outra, no jornal que tem à frente, não há dia que não comente isto ou aquilo do jornal, da rua que está lá fora, em voz alta, franca, seca, sorridente. Há sempre quem o ouça. A empregada do café. Eu. A mulher que por vezes se senta a seu lado. Outro qualquer cliente. Quem o escuta, não pode deixar, tem a obrigação, de sorrir com simpatia.