31.3.08

Talvez porque o centro da atenção esteja na cabeça e na cabeça habite o pensamento, estamos sobretudo atentos aos nossos pensamentos. Quem se vicia nesta atenção, dá, claro, conta, por exemplo, da dor, quando lhe dói. A dor tem essa coisa de impor-se. O prazer também. Mas, o caso da alegria é mais complicado. A alegria é sempre gentil e para entrar é preciso deixá-la entrar. Sobretudo nos casos em que o que a motiva é doce, manso e suave. Eu já estive completamente pendurado no pensamento. Parecia que o pensamento comia, bebia, tinha pernas e andava. Ou que o corpo do outro e a sua pessoalidade estava dentro dele. Pendurado, disse bem. Pelas orelhas e o chão distante dos pés. É por isso que a oração é uma coisa diferente. Une o pensamento a um resto que é bem mais importante do que ele.