19 de junho de 2008

“Os que amam o ruído que fazem são impacientes com o resto. Desafiam constantemente o silêncio das florestas, das montanhas e do mar. Passeiam com suas máquinas pela floresta silenciosa, em todas as direções, cheios de medo de que um mundo calmo os acuse de vazios. A pressa da sua velocidade, a pretexto de um fim, simula ignorar a tranqüilidade da natureza. O avião ruidoso, por sua trajetória, por seu estrondo, por sua força aparente, por um momento parece negar a realidade das nuvens e do céu. Vai-se o avião, fica o silêncio do céu. Afasta-se ele, a tranqüilidade das nuvens permanece. O silêncio do mundo é que é real. O nosso barulho, os nossos negócios, os nosso planos e todas as nossas fátuas explicações sobre o nosso barulho, negócios e planos, tudo isso é ilusão” em reflexões merton

6 comentários:

antónio davage disse...

A pergunta é: porque considerar o nosso barulho uma excepção ao silêncio do mundo? Porque não supô-lo, com todos os seus acontecimentos humanos,uma parte do inexplicável silêncio (que labuta...)?

a-bordo disse...

antónio: penso que percebes a perspectiva de merton; de resto, merton aqui não procura qualquer pensamento original, mas apenas sublinhar e voltar a chamar a nossa atenção para uma ideia "feita"; nesta acentua o seu carácter negativo; percebemos isso; como podemos perceber pelo teu comentário que gostarias de ver acentuado no ruído o seu carácter positivo; o seu lado sempre humano ... em "boa justiça", o ruído nem sempre é negativo, como nem sempre o humano é positivo... abraço e... folgo em ver o teu regresso ao mais que interessante trabalho em blog...

antónio davage disse...

Obrigado, Fernando. Vai-se e volta-se - como normalmente não acontece às ocasiões. De qualquer modo, em on ou em of, sempre vou subindo a bordo.
Claro que compreendo a óptica de Merton. Mas, parece-me, o problema não é se eu reivindico uma ‘positividade’ do ruído, mas se o ruído e o silêncio independem de uma determinada perspectiva, no caso, a minha ou a de Merton enquanto parte ou partes do ruído. De outra maneira: é possível que a formiga Merton, qua formiga, inveje o silêncio do remanescente do mundo, humanidade inclusive?
Ainda de outra maneira: postas as coisas em devidas proporções, o que é o silêncio? A perspectiva de Merton é, diria que necessariamente, a da excepção humana; só aqui nos separamos.
Abraço

Cebolinho disse...

Por falar em silêncio... estranho-o

Um abraço

a-bordo disse...

cebolinho: pouco a pouco vai sendo quebrado... venha o sol, mais disponibilidade para o passeio e ... saúde... abraço

Anónimo disse...

Olá. É o Zé António. Perdi o seu contacto e de outras pessoas. Recordo que foi você quem me falou em Merton. Continuo a pensá-lo como um bom amigo, gostaria que soubesse disso. Se puder, mande-me uma mensagem para zmadeira@clix.pt. Um abraço.