31 de março de 2008

Talvez porque o centro da atenção esteja na cabeça e na cabeça habite o pensamento, estamos sobretudo atentos aos nossos pensamentos. Quem se vicia nesta atenção, dá, claro, conta, por exemplo, da dor, quando lhe dói. A dor tem essa coisa de impor-se. O prazer também. Mas, o caso da alegria é mais complicado. A alegria é sempre gentil e para entrar é preciso deixá-la entrar. Sobretudo nos casos em que o que a motiva é doce, manso e suave. Eu já estive completamente pendurado no pensamento. Parecia que o pensamento comia, bebia, tinha pernas e andava.

6 comentários:

rui disse...

Ora viva! Sejas bem reaparecido.

Vítor Mácula disse...

“Conta-se que tendo saído de sua casa para contemplar os astros, caiu num poço. Uma velha mulher que passava zombou dele da seguinte maneira: “Como é que tu, Tales, que não és capaz de ver o que a teus pés está, pretendes conhecer o que no céu está?”
(...)
Segundo Jerónimo de Rodes (Notas, livro II), quis mostrar como era fácil enriquecer: tendo previsto no ano corrente uma abundante colheita de azeite, alugou um olival e ganhou muito dinheiro.
(...)
Atribui-se-lhe ainda as seguintes sentenças: de todos os seres, o mais antigo é Deus, porque não foi engendrado (...). O que é a divindade: um ser sem começo nem fim (...).”

(Diógenes de Laércio, Tales, em “Vida, doutrina e sentenças de filósofos ilustres”).

E mestre Eckhart: reza com a cabeça, sim, mas também com os joelhos, com as unhas, com os cabelos, com o coração, com o fígado...

abraço, Fernando

cristina tavares disse...

obrigada por voltares e de forma tão bela

a-bordo disse...

olá rui! já deu para notar que não tenho andado muito por aqui! fico contente pela tua visita e pelo teu comentário... abraço para ti

a-bordo disse...

vitor: é muito boa a citação do mestre Eckhart! abraço

a-bordo disse...

cristina: obrigado pelas palavras