7 de março de 2007

Não sei expressá-lo com plenitude: vai mais ou menos: um santo é um homem que perdeu o medo.

14 comentários:

Raquel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Putty Cat disse...

Perdeu o medo por si mesmo mas não pelos outros.

Gostava de encontrar um, um dia, quem sabe.

Beijos

PCat

papoila disse...

Perdeu o medo de quê?

De se dar, de viver em bondade e harmonia, de se mostrar, de ser humilde, de por os outros à frente de si próprio... De viver de "peito aberto" sem medo do que vem "de fora"...

É isto?

Zimbro Vermelho disse...

o que é um santo?

MC disse...

acho que tens razão, Fernando. Definiste muito bem, sem mais.

beijo

a-bordo disse...

um abraço para ti, zimbro: essa questão é a que se tenta responder... beijo putty; outra para ti, mc; e especial: papoila, bem vinda a bordo.

Vítor Mácula disse...

sim. e vem-me à boca uma derrapagem do mesmo: alguém que perdeu o medo ao medo. um medo que não se rejeita a si próprio. talvez um medo transfigurado em serenidade já não se possa chamar medo mas no entanto. abraço.

Vítor Mácula disse...

PS: Serenamente e sem medo pergunto (oh incauto ;) MC mínima é acerca do que só se pode dizer o mínimo e calar-se?...

Zimbro Vermelho disse...

se levar o santo para o campo da filosofia digo que é um santo porque perdeu o medo, mas não a razão, de questionar e questionar-se, que não tem medo da palavra.

se o levar para o campo da religião, então digo que é um santo porque perdeu o medo de praticar o bem (e/ou o mal, quem sabe).

mas que por si só não chega lá. um santo precisa dos outros, de audiência.

a-bordo disse...

vitor: mistica cristã!? - não me atrevo a tanto; não sei bem o que quer dizer a sigla; impôs-se; penso que deve andar mais por um exercício mental de meditação que lentamente e sem que eu saiba como me vai levando... abraço

zimbro: no global concordo; substituiria a audiência final por auxílio, de assistência... abraço

Vítor Mácula disse...

"um exercício mental de meditação que lentamente e sem que eu saiba como me vai levando"

ah. mística cristã,claro-obscuro ;)

todos aqueles que contaminados foram pelo cristianismo, carregam o síntoma místico a seu modo e ritmo. e suspeito que nenhum... se atreve a tal ;)

abraço, bom fim de semana

Andarilhus disse...

Reflexão interessante: “venenosa” e viciante, mesmo!
Um santo pode ser alguém que, entre outras coincidências, perdeu o medo. Coincidências, porque entre os não-santos também os há - e em maior número - os que se entendem aparte do medo.
A meu ver, o fulcro da questão não é o Santo, é o Medo.
O que é o medo? E, quanto a santos, na sua particularidade, como se define?
Numa escala de importância, o nosso maior medo é perder a dádiva da vida. O Santo – pelo menos, pela definição clássica e religiosa – não tem essa preocupação: preocupa-se mais com a doutrina que preconiza e com a existência dos semelhantes, do que consigo. Mas o Santo tem medo! Não por si, mas pelos outros. Porque um Santo nunca o é para si, mas para os que lhe estão próximos; a sua santidade não é individual, mas antes dirigida à comunidade … Embora confiante na sua fé, na sua concepção de vida e na sua acção, ele tem a preocupação, o receio… o medo, de ter êxito na comunicação e intervenção perante os outros… o sucesso da sua missão!
E o que é o medo? O Medo, nesta definição, é o desassossego e a premeditação de culpa por não cumprirmos aquilo que, pessoalmente ou por aculturação social e instrução, temos formatado para realizarmos.
O medo da morte. Será apenas a dor subentendida e sofrida? Ou é também a limitação do prazo para cumprirmos o que julgamos pretender? E é sempre tanto…
Depois, há os outros medos, mais terrenos talvez, mas que, como os afluentes dos rios, desaguam do medo principal. E há alguém que possa dizer que não tem medo? Tantos como os que dizem não têm qualquer coragem? O viver, só por si, já é ter medo e ter coragem.
Vítor mácula: Perder o medo ao medo? Se perdermos o medo, não está incluído, desde logo e à cabeça, o esquecimento do medo? Ter consciência do medo – sabermos, serenamente, que ele está ali, sem o rejeitarmos, todavia – é ter medo! É aceitá-lo calmamente mas reconhecer que o vivemos. Enfim, lidamos, melhor ou pior, com ele. Contudo temos medo. Perder medo ao medo é não ter medo de ter medo, ou seja, dupla negação. Concomitantemente, ter medo!
E o Santo, afinal o que poderá ter de diferente?...
“(º0º)”

Vítor Mácula disse...

Caro Andarilhus

“Perder medo ao medo é não ter medo de ter medo, ou seja, dupla negação.”

Não se trata bem duma questão de lógica formal, mas mais no sentido psicológico e existencial. A disposição de quem aceita o medo é distinta de quem lhe foge espontaneamente. A serenidade do samurai não é a de quem se sente fora de perigo.

E perder algo na sua forma pode não ser esquecê-lo. E por isso indefinidas memórias nos conduzem também.

Um abraço.

Andarilhus disse...

Caro Vítor Mácula:

"A disposição de quem aceita o medo é distinta de quem lhe foge espontaneamente. A serenidade do samurai não é a de quem se sente fora de perigo."

...deduzo destas palavras que estamos em sintonia: porém, ambos conhecem o medo, apesar de terem o medo interiorizado de formas distintas... Assim como a percepção - a forma - do medo pode ser tão complexa e diversa como o espectro existencial do ser humano.
O medo, bem como outras sensações, outros sentimentos, é componente base do pessoa: Assim obriga a razão, sobreposta e a reforçar o instinto. E ter medo não é sinónimo de fraqueza…
Recebo e retribuo o abraço
"(º0º)"