... pensada a qualidade da semente, é, então, tarde, talvez, ou, talvez não, altura, então, de pensar a qualidade da terra...
28.3.06
27.3.06
25.3.06
24.3.06
li no ar líquido, contentamento.
Contentamento é a ida
De uma lama do interior para o mar,
Passadas as casas - passados os promontórios -
Até à profunda Eternidade -
Criado como nós, entre montanhas,
Pode o marinheiro entender
A intoxicação divina
Da primeira légua longe da terra?
(Emily Dickinson)
Marcadores: poema
18.3.06
Li no Jardim de Luz.
Ouvindo o som do divino discurso proclamado
"bem-aventurados os que choram agora
pois esses serão consolados"
muito desejamos chorar nossos pecados
mas os olhos de pedra
e a dureza de coração nos impedem
nem lacrimejar podemos
Por isso Senhor
tendo amolecido primeiro pela penitência
no nosso coração a fonte da sua dureza
derrama em seguida abundantemente
por dom da tua graça
torrentes de lágrimas em nossos olhos
O Dom das Lágrimas - orações - antiga liturgia cristã - Joaquim Félix Carvalho e José Tolentino Mendonça.
Marcadores: poema
17.3.06
Agora que Ben Harper regressa de novo com BOTH SIDES OF THE GUN, fica aqui das Roses From My Friends:
the stones from my enemies
these wounds will mend
but i cannot survive
the roses from my friends
Marcadores: poema
15.3.06
Na sacristia pergunta-me o que penso da distância que vai da letra, espírito, do Evangelho à sua concretização na prática. E eu penso algumas coisas. A primeira é que posso estar redondamente enganado. Contudo, e ainda assim, com ou sem erro, aqui vai. Por vezes, grande parte das vezes, há de facto, uma dificuldade em vê-lo realizado na prática. Porque também é assim que muitas vezes vejo a sua concretização, posso dizer que pelo menos no meu caso, isto tem por trás do fenómeno o seguinte. É uma das leis da óptica – ui, o que é que eu disse – que vejamos melhor o que é maior. Como é uma das leis do pensamento que compreendamos melhor o que se encontra em sistema. Por isso, observamos com maior facilidade os grandes gestos e as grandes decisões que os inspiram. E passa-nos ao lado os pequenos gestos e as pequenas decisões. Os pequenos gestos de amor. Um professor debruçado e preocupado com a aprendizagem de um aluno que se mostra recalcitrante. Um grupo de alunos preocupado com a saúde de um professor que sai da sala subitamente zangado. Uma prostituta que ali para os lados da Avenida da Boavista é capaz de superar a frustração de não sermos seus clientes e que nos diz com gentileza as horas. Outros gestos e outras decisões assim. Ora, a esta dificuldade de visão soma-se uma dificuldade de teoria. Tanto quanto eu sei, com dificuldade construiremos uma extensa e sistemática teoria que seja capaz de dar conta das semelhanças de motivação que ocorrem nas acções do professor, do aluno e da prostituta. Claro que podemos dizer que todas elas são fruto de generosidade e que a generosidade é cristã. Se o dissermos penso que dizemos muito. Chegados aqui, pergunto-me vezes sem conta se é preciso dizer mais. Seja lá como for, a minha opinião é então que se não vemos a concretização do Evangelho, não é porque ele não se concretize. É porque não temos olhos para ver a sua concretização e porque temos um pensamento que tem tendência para se deixar arrastar para o inchaço.
Marcadores: diversos de religião
13.3.06
Difícil Evangelho segundo S. Lucas 6,36-38: -- Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso.» «Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado: uma boa medida, cheia, recalcada, transbordante será lançada no vosso regaço. A medida que usardes com os outros será usada convosco.»
Marcadores: mc mínima
11.3.06
10.3.06
entretanto, fiquemos por estes versos com Jim: Touch Me:
C'mon, c'mon, c'mon, c'mon now
Touch me, babe
Can't you see that I am not afraid?
Marcadores: poema
Procuro, é canção, de fado, fadista nacional, que ouvi, melhor, fui surpreendido, porque apareceu no carro, à noite, à chuva, na via rápida, no escuro, no rádio, pouco depois da ponte por cima ficar para trás, ali, antes da curva, antes da recta, da curva à direita para a ponte da Arrábida, quando o automático procurava estações sem ruído, uma voz masculina, nostálgica, perdida que declarava amar sem medo, ou, beijos sem medo, dele ou dela, não sei. Fiz correr o Google. Diversas combinações. Pouco dá. Podem tentar. Não deu nada. Não tem mal... Era bom que aparecesse. Não apareceu. Mas ainda está aqui. Continuarei, no entanto, a procurar.
Marcadores: apenas um
9.3.06
eu já experimentei e só experimentando: quem quiser experimentar e ver a imagem de Cristo na Parede, pode passar por esta proposta do C.A.P..
8.3.06
«Foi a última oportunidade de eu emitir opinião, mas reconheço, humilhado, que provavelmente não teria nada a dizer. Esta a razão de eu afirmar que Kurtz era um homem notável. Tinha qualquer coisa para dizer. E disse-a.» - Joseph Conrad em O Coração das Trevas.
Marcadores: citações
É uma obrigação. Pela manhã, sei lá, sete horas, sete e um quarto, sempre antes das sete e meia, não digo, por isso, que a regularidade seja kantiana, não sei, está sempre antes de mim, quatro coisas traz sempre ao café em que acordo. O chapéu, como hei-de descrevê-lo? – Um chapéu francês, parecido com os chapéus dos gendarmes franceses, pala esticada para a frente. A idade que não se nota, o que se pode ver na cara de lua cheia, sorriso largo, e a incomensurável boa disposição que irradia, come, anula qualquer agrura. Terá perto de sessenta e cinco anos. E entre uma notícia e outra, no jornal que tem à frente, não há dia que não comente isto ou aquilo do jornal, da rua que está lá fora, em voz alta, franca, seca, sorridente. Há sempre quem o ouça. A empregada do café. Eu. A mulher que por vezes se senta a seu lado. Outro qualquer cliente. Quem o escuta, não pode deixar, tem a obrigação, de sorrir com simpatia.
Marcadores: apenas um
6.3.06
Joseph Conrad o coração das trevas. Vou lendo aos soluços, uma modalidade que não conhecia. Há muito que ando para o ler. Para perceber quem poderá ser Kurtz’s Conrad. O misterioso Conrad’s Kurtz. O misterioso coração da trevas. Espero entre um soluço e outro. E penso que não espero coisa pouca. Contudo, antes disso, fica em bronze o excerto: «sabem como odeio, detesto, não tolero mentiras, não por ser melhor do que os outros mas simplesmente porque me assusta. Têm um ar fúnebre, sabem a morte – exactamente aquilo que mais odeio e detesto no mundo – o que mais quero esquecer. Deixam-me infeliz e doente como se tivesse trincado qualquer coisa podre. Ao que julgo, questão de feitio.»
Marcadores: livros e outros
5.3.06
(4) Depois Fat vai com dois amigos a um filme onde reconhece imagens que reflectem a sua teologia; depois Fat encontra o actor principal, uma vedeta rock, e a sua mulher; depois a mulher e a vedeta têm uma filha; depois esta filha é o salvador; depois o salvador é morto; entretanto, K. Dick reconhece que Fat não é senão ele; depois Fat torna a ser outra coisa e anda pelos mares do sul à procura de novo salvador.
Marcadores: com-autor


