14 de novembro de 2006

Que pode ser bem uma história sem conchavo, pois o que diziam, o buraco que diziam aberto no chão, a terra barrenta acumulada nos lados, sabe-se lá porquê, era de dimensão inaudita, e de todo desproporcionado para o fim a que era destinado; mais ainda, não é fácil acreditar que o fundo do buraco estivesse repleto de lacraus, cada um com o bico mais afiado que o outro, e que, ainda assim, no meio deles, serpenteassem cascavéis e que o ar estivesse pejado de abelhas assassinas que não fugiam dali para lado nenhum. Ora, se somarmos a isto, o facto de o homem que lá foi posto dentro para expiar uma culpa de que não há história, sabe-se apenas que tinha a ver com um sino, com o hábito de tocar sino, ter sido mordido por lacraus, abelhas e serpentes, e ainda assim ter sobrevivido, a coisa começa a complicar-se… Reza no fim da história uma moralidade estranha, difícil de colar ao que nela é contado: que quando a maldade dos outros e o nosso mal não nos atingem inteiramente, os nossos passos podem caminhar no caminho da humildade.

3 comentários:

Putty Cat disse...

Roçará ele a Santidade?
Ou então, com jeitinho, morrerá de uma simples constipação.

Qto à moral da história:
Por muito humilde que alguém seja, terá sempre orgulho nessa humildade.
E esta, hein?

Bastet disse...

A sobrevivência, como acto final inesperado e comprovativo de um qualquer milagre, acaba por fazer desvanecer o que é mais importante: o percurso da culpa e da maldade, a humildade que, se houvesse levado á morte não seria menos louvável mas já não seria digna de relato!

Manuel Neves Bancaleiro disse...

Tem um Blog interessante....
Hoje em dia a transmissão de conhecimentos e de opiniões através da blogosfera é algo que os poderes instituídos jamais conseguirão controlar.
Força...não nos deixemos manipular...independentemente de divergências ideológicas ...credos ou religiões.
Adicionarei o seu Blog como link ao meu blog.
Se porém não concordar com esse adicionamento, muito grato lhe ficarei que do facto me seja dado conhecimento
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Manuel Bancaleiro