27 de novembro de 2006

Quando nos sentimos próximos da realização da nossa aspiração de nos tornarmos deuses, olhamos os outros do alto do nosso desprezo. Quando nos sentimos longe, sentimo-nos miseráveis, execráveis. Entretanto, da divinização à execração vai um passo. Outro com tamanho igual no sentido inverso.

4 comentários:

Putty Cat disse...

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.
Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.

Fernando Pessoa

a-bordo disse...

putty: felicito-te pela rapidez da resposta; beijo.

Andarilhus disse...

... e se “sou” Deus, domino os céus da minha prepotência; quanto mais ergo o queixo arrogante, menos vejo as belezas da terra e mais sujeito fico, de levar em cheio, na minha silhueta divina, com as excreções de uma qualquer ave de rapina de um céu acima... E, o peso pode ser tão grande que vou directo – com esse mesmo queixo – ao lodo da lama…
"(ºoº)"

cbs disse...

é a verdade do nosso carácter humano: infantilismo.
Foi por algo assim que nos puseram a andar de um certo lugar das delícias.