13 de fevereiro de 2006

Na Invasão Divina de Philip K. Dick, hologramas, uma Bíblia, por exemplo, em formato de holograma, com capacidade para se reorganizar em função do ponto a partir do qual se cria o holograma, naves espaciais, cápsulas, viagens no tempo, fazem o dia de hoje, hoje, a terra governada pelo Partido Comunista e pela Igreja cristã islâmica, Belial, o Grande Inimigo à solta. Por isso, de novo uma nova necessidade de salvação. Mas qual a nova encarnação de Emanuel? Como poderia passar a teia de defesa e de ataque tecnológica, sobrenatural, montada pela ordem deste mundo e pelo Inimigo que também anda no outro para o impedir? - É este o pretexto para a ficção que aparece na Invasão de Philip K. Dick, 328 da colecção argonauta, dos livros do Brasil. Deixo de lado, a análise, que me ultrapassa, dos elementos especulativos, cabalísticos (?), e mais do que pôr em destaque este longo fragmento: «- É o pai? – perguntou-lhe o médico. – Sim – respondera Herb Asher. O doutor sorrira e anotara isso no boletim. – Pensamos que devíamos casar. – É uma boa atitude (…) Sabe que é um rapaz? – Sim – certamente que era. – Há uma coisa que não compreendo – confessou o médico. – A impregnação foi natural? Não terá sido artificial? É que o hímen está intacto. – Sim? – perguntara Herb Asher. – É raro mas pode acontecer. Portanto teoricamente a sua esposa ainda está virgem.» (98) gostaria que a minha memória retivesse: «A imagem de Linda Fox no espírito de Herb Asher continuou a sofrer uma transformação desanimadora; ela via-a grosseira e de má pele, uma coisa flácida que comia demasiado e deambulava sem destino, e compreendeu que essa era a visão do acusador; a criatura cabrito era a acusadora de Linda Fox, era quem a mostrava – quem mostrava tudo na criação – sob a pior luz possível, sob o aspecto da fealdade.» (198-199)