17 de fevereiro de 2006

(1) Fat, talvez, gordo cavalo do amor, tem em Valis 1, de K. Dick, um colapso nervoso. O que daí se segue pode ser explicado por 1 – «Os mentalmente perturbados não usam o princípio da parcimónia científica: a busca da teoria mais simples que explique o maior número de factos. Disparam logo para o barroco.» (31, Argonauta).
Assim, se explica que 2 – «Ao fim de um longo período (ou “desertos de vasta eternidade”, como ele diria) Fat desenvolveu uma quantidade de teorias invulgares para explicar o seu contacto com Deus e a informação dai derivada. Uma em particular impressionou-me como interessante diferente das outras. Consistia numa espécie de capitulação mental por Fat àquilo que na realidade ele estava a passar. Esta teoria afirmava que na realidade ele não estava a sentir coisa alguma. Sítios do seu cérebro estavam a ser selectivamente estimulados por finos feixes de energia emanados de muito longe, talvez a milhões de quilómetros de distância. Essas impressões selectivas (….)» (34-35, livros do Brasil) – provinham de Deus, eram o seu Logos.
Claro que alguém assim pode ser facilmente torturado pelos amigos. Era o que acontecia e não era preciso muito 3 – «Não era preciso apanhar Fat com perguntas tolas como «se Deus pode fazer tudo, poderá ele criar uma valsa tão grande que não a possa saltar?». Tínhamos abundância de problemas verdadeiros a que Fat não podia responder. O nosso amigo Kevin começava sempre o seu ataque do mesmo modo. «E o meu gato morto?»» (op. cit., 38).

2 comentários:

Arrebenta disse...

Diário da "mulher-alibi"

Pacheco Pereira, um dos rastejantes da nossa cena política, pilar do sistema, e exemplo de como se pode subir rápido
(da Gare Maoísta à Gare Neo-Liberal-Conservadora, em bilhete de primeira, se faz favor),
resolveu ganhar dinheiro a publicar os textos do "Abrupto", uma espécie de sótão poeirento e desactualizado do imaginário de uma tia velha desactivada, e com barbas, ainda por cima.

Esse é o papel da "Mulher-Alibi", figura da Sociologia, indispensável para o funcionamento do Sistema: ela espumeja, ela finge que se indigna, ela ataca, ela recua, ela geme e freme, ela varia de alvos, mas, no fim, alinha sempre pela mão de quem lhe paga, e que realmente sempre serviu. É no seu discurso e na sua atmosférica variação fisionómica, que se faz o grosso da catarse do tecido social, "que bem que falou", "gosto muito de ouvi-lo", "sabe sempre dizer quando as coisas estão bem, e quando estão mal"...

Uma das características da mulher-alibi é a ubiquidade: ela tem o dom de estar sempre em todo o lado e em todo o instante em que se possa levantar alguma fervura.

Obviamente, Pacheco Perereira não é a Marcela-quer-morcela, a Mãe das Mães-Alibi, ou a "Desesperada", por antonomásia, com dons de mentira e retórica maquiavelicamente sofisticados. Berços diferentes: uma, filha do Ministro da Propaganda do Antigo Regime, a outra... não. Mas, no fim, o teclado termina sempre na mesma cadência, embora, pelos entremeios, se tenham esvaziado todas as tensões do Público, que, realmente, poderiam conduzir a qualquer mudança.
Elas são as gestoras do Pântano, e o Pântano continua a pagar-lhes regiamente pelo seu papel.

http://braganza-mothers.blogspot.com

Alessandro_PPG disse...

estou divulgando o meu blogger, se quiser fazer uma visita agradeço!