18 de novembro de 2005

gosto deste tipo de exemplos: «suponhamos que estímulos auditivos eram fornecidos ao córtex visual e estímulos visuais eram fornecidos ao córtex auditivo. Que aconteceria? Tanto quanto eu sei, ninguém alguma vez fez esta experiência (…) Embora esta hipótese seja especulativa, tem algum apoio independente se reflectirmos no facto de que um soco nos olhos produz um clarão visual («ver estrelas»), embora não seja um estímulo óptico.» (Searle, Mente, Cérebro e Ciência, edições setenta, 14)

12 comentários:

carlosantos disse...

Não me parece lá muito razoável, a hipotese.
O nervo auditivo é especializado, só pode reproduzir som; assim como o nervo óptico produzirá imagem; por isso o soco, ou seja a estimulação do nervo óptico faz ver estrelas.

Mas não será, de certeza, essa a única sensação :))

timshel disse...

se fosse possível estimular o cérebro exactamente como se se estivessem a estimular os cinco sentidos, da mesma forma complexa e extremamente coordenada, teríamos uma alucinação com espantosas semelhanças com a de uma existência real

perola&granito disse...

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.......... (_/.....CAMINHANDO!!!

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.......... (_/.....ESTA QUASE...


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.......... (_/.....CAMINHANDO...


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..\\_)..... )../.... UFA...
.......... (_/..... CHEGUEI...

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------( @@)------- Só passei pra dar uma olhadinha
---ooO--(_)--Ooo-- e dizer um

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passa lá no nosso também...
beijocas natalicias

a-bordo disse...

Bom, nem sei por onde começar; talvez, pelo que diz o Carlos. É também um suposto do Searle que o nosso cérebro é especializado e que de algum modo também o é de um modo geral o nosso sistema nervoso. A questão com o soco tem não tanto a ver com os órgãos de percepção e mais a ver com os estímulos. Temos tendência a pensar os estímulos no mesmo grau de especialização que atribuímos aos órgãos. Assim, apenas um estímulo visual produziria efeito sobre um órgão visual. O soco serve para pôr em jogo uma hipótese diferente. Um estimulo táctil que produziria uma resposta visual. E entretanto esta hipótese tem em Searle uma função estratégica: na diferença que pretende mostrar, serve como exemplo do pouco que sabemos acerca do funcionamento do cérebro. Dito isto, vamos para o Tim. Não para o que ele aqui diz, que no fundo se pode juntar ao que foi dito anteriormente, “será possível por outro tipo de estimulação produzir «realidade» que ainda não supomos que possa ser produzida?”, isto é, estamos ainda longe de saber o que o cérebro pode ou não fazer, o que é dizer que estamos muito próximos da ignorância sobre o que é e o modo como funcionar o cérebro. Mas para algumas coisas que o preocupam. E para a questão da Transcendência. Neste livro, Searle tenta dar conta dos fenómenos mentais em função da linguagem das actuais ciências. Tenta verificar o que podemos dizer da consciência, da subjectividade, da intenção, da causalidade mental, em temos de linguagem científica. E isto com a intenção clara de pôr em causa o que os vocabulários tradicionais filosóficos, os que vem de dezassete, os de dezanove, e os anteriores, dizem sobre estes assuntos. Pôr em causa, por exemplo, o dualismo cartesiano ou o elan vital. O que por arrasto põe claramente em causa os vocabulários que inspirados religiosamente põem em jogo no fenómenos da consciência a presença de elementos transcendentes. Se é assim o é, e essa é uma das minhas preocupações, é interessante ver como Searle sustenta a sua posição. Aqui, começam a surgir algumas coisas interessantes. A primeira é que a tentativa de Searle de traduzir a consciência, a subjectividade, a intencionalidade e a causação mental, passa por dizer que são fenómenos que se podem explicar através do funcionamento cerebral. Ora, se é assim, também é verdade que Searle toma como sua a posição de Hubel de que pouco sabemos acerca do funcionamento do cérebro. O que quer dizer que tenta sustentar uma tradução dos fenómenos mentais em função de algo de que pouco se sabe. O que torna pertinente a questão: então, porque não utilizar Deus e o Espírito Santo na equação explicativa dos fenómenos mentais? – O que é dizer com o outro: desconhecimento por desconhecimento… E para já, acerca desta questão mais não digo. É assunto longo e tem que esperar por melhor altura. Se essa entretanto vier.

cbs disse...

Tou cheio de trabalho mas não resisto a duas ou tres coisas:
Mantenho que percebo pouco, mas o que aprendi na escola diz-me que o nervo óptico jamais dará para sentir sons (da forma que definimos); o soco estimula-o e não sendo uma imagem, faz ver luzes, provávelmente o mesmo que daria outro estímulo qualquer no mesmo nervo.
E depois há o limiar, acima do qual a sensação passa a dor e esbate-se a sensibilidade precisa por que nos orientamos.

Mas pronto.
a hipótese que deste é gira:“será possível por outro tipo de estimulação produzir «realidade» que ainda não supomos que possa ser produzida?"

quero referir que Bergson pensava que o cérebro era como um "transformador" dessa corrente vital.
Para Bergson era o cérebro que nos inseria no mundo, que nos permite sobreviver, modelando o élan poderoso para uma corrente mais fraca.

sou partidário do Bergson, da intuição como faculddade cognitiva e do elan vital

CAP disse...

Ouvir cores, ver sons... o fim-de-semana está correr-te bem! :)

(bad acid?)

a-bordo disse...

espero que o teu não esteja a correr pior :)

a-bordo disse...

Carlos: Bergson é um autor que anda apenas nas minhas margens; conheço apenas o que dele dizem, e não muito... abraço :)

timshel disse...

fernando

apenas para te dizer que estou de acordo com o teu comentário das 3.41 pm

cbs disse...

eu que pouco sei li quase todo o Bergson.
Não acho fácil, porque é preciso entrar naquilo.
Mas o que ele diz é o que eu sinto e é rigoroso, só deixou foi de ser moda.
Houve tempo em que era adorado e foi prémio Noble da literatura.

Apenas estava a chamar a atenção para ele, não a discordar do que dizias.

a-bordo disse...

cbs: objectivo conseguido. até porque eu que tenho em grande conta blondel devia conhecer melhor esse seu "parceiro" espiritual. abraços.

tim: para repôr alguma justiça nas apreciações, dentro de muita coisa que nos interessa, Searle tem pelo menos um tema em que podemos estar parcialmente em consonância com ele: e isso tem a ver com a liberdade que é por ele afirmada contra muito determinismo duro que grassa por aí...

abraço a ambos.

Anónimo disse...

Very nice site! »