25 de outubro de 2005

A minha vizinha. Uma colher não. É demais. Costumo, exagero, faço-o por vezes, levar um pouco de limão, quando mo pede. É curioso, pois ela tem sempre o seu próprio limão. Por vezes, andrajoso. Não sei porque mo pede. Não precisa de mim para nada. Não fala comigo. Sorri sempre que me vê. Nada mais, nas escadas. Os olhos são verdes. Esmeraldas. Não sei porque lho dou. Não gosto de a ver assim. Teve graça. Agora definha. Não gosto de sentir que contribuo. Seja de que modo for. Não contribuo. E contribuo. Tarde ou cedo, vai-se. Fica. Madrid ou Londres. Tanto faz. Não gosto da ideia de a ver morrer longe. De não a olhar uma última vez. Que posso fazer? – Sinto-me mal. Subo as escadas, desço, dou-lhe o limão, regresso. Deixo-a atrás de mim, sentada nas escadas com um amigo.

4 comentários:

AF disse...

não conhecia o blog, mas vou voltar.

Bastet disse...

Se um dia ficar nas escadas de casa ou noutras mais distantes, ficará com o ácido desse limão nas veias e com o doce de alguém se importar no coração. Um beijo.

Maria disse...

De regresso ás lides "blogueiras" decidi-me a saltar de blog em blog, numa breve visita aos locais do costume e gostei... gostei do que li, especialmente neste.
Porquê?! Porque mais do que a arte de bem escrever, pressenti a sensibilidade de quem observa a realidade do que nos cerca.

Um beijinho e até breve.

a-bordo disse...

hoje, com tempo apenas para vir aqui antes da cama, fica ainda assim o meu obrigado pelos comenários e pela simpatia. beijos também.