3 de setembro de 2005

«Espero que não te pasmes com o facto de Lúcifer te falar de religião. Com a breca! Só desejo saber quem, a não ser eu, poderá falar-te dela hoje em dia. Certamente não um teólogo liberal! Afinal de contas, sou agora quase o único a conservá-la! A quem quererás conceder uma existência teológica a não ser a mim? E quem poderá levar uma existência teológica sem mim? A religião é meu elemento, tão indiscutivelmente como deixou de ser matéria da cultura burguesa. A Cultura, desde que renegou o culto e se pôs a cultivar-se a si mesma, não passa de um refugo, e depois de meros quinhentos anos de tal situação, todo o mundo está tão farto e cansado dela, como se tivesse engolido, salva venia, panelas cheias de tal comida…» - Doutor Fausto de Thomas Mann, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1984, 329.