16 de julho de 2005

Com este, com aquele, com aqueloutro, as coisas eram diferentes. Com um gostava de música, com outro de jazz, com outro de rock, com um de política, com alguns de poesia e com outros de ecologia; outros eram activos; com uns fazia teatro, escrevia jornais; havia um que gostava de queimar placas de rádio com o ferro de solda; outro que jogava bilhar e criava coelhos; dois empregados de mesa, dois de escritório, um jornalista. Nenhum como ele. Com ele subia as escadas da Igreja, à tarde ou à noite, tanto fazia. Sentávamo-nos e ficávamos ali. Víamos os carros, a paragem dos autocarros, os que vinham a pé. Nessas tardes e noites, poderíamos adivinhar encontros e desencontros, amores e negócios. Mas não. Às vezes, o tédio levava a que deitássemos as costas no bico das pedras. Olhávamos o céu. Depois, voltávamos a olhar o cruzamento. Ou: «vamos dar uma volta?» – Começávamos a andar, começávamos a falar. Não de música, política, poesia, ecologia, electrónica, criação de coelhos; dizíamos mil vezes a mesma coisa: com quem queríamos casar. Não estávamos preocupados com contradições. Importante era andar sem destino. Não nos levantávamos para ir a casa de um amigo, procurar uma namorada, ver um filme, assistir a um concerto. Virávamos para a esquerda, não descíamos a rua em frente.

8 comentários:

MRF disse...

Tão bonito! que nostalgia.

maopesada disse...

a coisa na pulga ficou torta, risos,não consegui colocar imagem, vou refazer tudo e desculpa-me tenta repor a legalidade, quanto ao resto gostei de ler os teus apontamentos abraço e ob

Bastet disse...

E os desejos cumpriram-se? Acertaram com a noiva ou continuam a encontrar-se na escadaria?

a-bordo disse...

divas: obrigado. a nostalgia anda um pouco fora de moda; temos - apre - de ser "futuristas" :)

maopesada: não se pode ser tudo e tu já és coisas que cheguem; hasta manhana, barriga de peçonhas, oblige;

bastet: mais uma história; tu conheces certamente a do juíz, olhos esbugalhados, barba por fazer, quase três metros de altura, um autêntico adamastor; e que era incomodado mesmo a altas horas da noite por um chato desgraçado que queria justiça; diz Jesus: se mesmo maus como vós quando os vossos filhos vos pedem, lhe dais de comer, o que fará o vosso Pai que está no Céu, que é bom; profiai; quer isto dizer, que irritarando como irritaram, o espaço sideral femino,com o mantra, a esposa, a esposa, venha daí a nossa esposa - ouve duas vozes grossas e fartas -, eles só poderão ter no futuro uma resposta adequada e feliz desse universo que mantém por uma lei da natureza a resistência como factor determinante. futuro que eu felizmente, depois de muita resistência, confirmo:) Um beijo para ti.

Bastet disse...

:) gostei do post mais ainda do teu comentário. Um beijo

Anónimo disse...

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Anónimo disse...

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