13 de junho de 2005

Um pai. Uma mãe. Sentados em silêncio na mesa pesada e castanha. Jantam. A televisão pode estar ou não estar. Mas se estiver é como se não. Se for Verão, podem ouvir-se as moscas, carros na rua, o fim da tarde dos pássaros agitados no jardim. Ou nos cafés do Porto. Os cafés do Porto tiveram uma altura em que cobriam as ruas como malmequeres. Alguns de origem antiga, mergulhavam no espaço. Outros limitavam-se a acompanhar a rua. E a emagrecer. Os prédios emagreciam. Os cafés ocupavam o tempo em que não eram necessárias garagens. Colocava-se a máquina de café, atrás, o frigorífico, à frente, as mesas baixas e as cadeiras da altura que tomariam os móveis no futuro dentro das casas. Uma parede de vidro. E uma porta de vidro. Os dois, recém casados, sentados na mesa do canto, à noite, pouco antes do café fechar, mantinham-se também em silêncio. Hoje, parecem resignações impossíveis.

2 comentários:

Bastet disse...

a-bordo, gostei particularmente deste texto recheado de imagens soberbas. De resto já sabes, passo sempre por aqui mesmo quando não te deixo, como agora, um beijo.

a-bordo disse...

se calhar não calha bem dizê-lo: mas também eu gosto. um beijo.