21 de junho de 2005

O livro, ele não o sabia, era com ele. Também, ele, como o Homem sem Qualidades, podia ser tudo, matemático ou músico, organizador de festivais de Verão ou de peças de teatro no Inverno, e não era nada. Ou especificamente coisa nenhuma. O livro de Musil é um objecto de culto. E está bem. Qualquer culto tem uma zona de sombra e de ignorância. E por isso, ele bem podia ser um dos seus avatares. Pois, podendo ser tudo e não sendo nada, estava longe de o reconhecer. Pois, sendo o livro, não o conhecia, nunca o lera. Até esse dia. Comprou o Homem e desceu a rua de Ceuta, apanhou o eléctrico na Ribeira e vomitou em pleno Verão na praia do Molhe. Após um momento de pânico, ausentou-se. Deixou que o sol lhe batesse na cara. Levantou-se. Adiante, debaixo dos arbustos que existem antes do Castelo do Queijo, tinha já muito, mas não foi capaz. Não foi capaz de adivinhar que o vazio que sentira quando esquecera a vergonha, e mesmo o disparate que fizera, poderia ser o ponto de partida para caminhar e adquirir qualidades.

3 comentários:

Bastet disse...

é preciso pelo menos ter a qualidade de reconhecer no ponto final o início de outra frase ou de outro capítulo.

cbs disse...

Olá Fernando

A primeira rampa de Braga não era a Falperra, era á saída da cidade.
O Lordelo era um mini circuitoda Boavista, assim com em Lisboa Montes Claros era um mini Monsanto: aproveitava uma parte do traçado maior.

Vai às corridas que deve ser giro:
http://www.circuitodaboavista.com/

Abraço

a-bordo disse...

obrigado. hei-de informar-me melhor acerca de Braga; fui ao site e por lá me mantive bom tempo. o que pensas da alternância com o Mónaco?