19 de junho de 2005

Isto não tem muita história. Pouco enigma talvez. E poderia estar encostado a um canto da memória. E está. No entanto, tem o seu quê. É uma coisa assim. Que não notamos. E ainda agora. Nós morávamos todos ali. Ou estudávamos. Posso jurar, quantos, para aí, trinta, não sei, talvez, mais, que ninguém o conhecia. Onde se metia? – Encontrei-o bem longe. Estava em Braga, num tempo em que era permitido andar à boleia. E, para meu espanto, parou o Porsche. Carreira ou camioneta, não sei. Viemos até ao Porto, pela antiga nacional. À saída de Braga, passada a descida, na zona plana, ainda não tinha dado para notar os cavalos. Mas na subida para à Cruz, as minhas costas enfiaram-se no banco. Era de arrepiar. Era sugado para trás e via os carros de frente, enquanto o Porsche fazia sucessivas ultrapassagens. Parecia um espermatozóide furioso. E por aí fora, Famalicão, proezas que fazem as delícias dos pescadores. Até que me deixou na rua e meteu o carro na garagem. Fui a pé até casa. Nunca o tinha visto entrar. Nem sair. Nem a ele, nem ao Porsche. Nem algum amigo meu alguma vez o notou. Porque não se interessavam por carros? – Poucos. Alguns, sim. E ainda assim. Sobre o condutor a pergunta não interessa. Interessa apenas perguntar como é que podia acontecer a invisibilidade ao raio do carro.

4 comentários:

cbs disse...

Essa descida de Braga creio ser a antiga rampa, corrida pela primeira vez em 1927.
Vitória de Alfredo marinho num Bugatti lindo, se a memória não me falha :)

Bela história.
O pontapé nas costas, senti-o a primeira vez, no banco do lado de um Ferrari Dino, em 1973 creio.

a-bordo disse...

sorry. respondi em baixo.

Anónimo disse...

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