22 de junho de 2005

Alguém disse, já não me lembro quem, uma daquelas evidências que furam os olhos e que eu muito aprecio. Não foi isto. Mas para que possam ter uma ideia. Por exemplo, se numa concentração motard, tira, tira, tira, pode levar a namorada a mostrar os seios em público, por muito tira que se diga, ela não o poderá fazer no meu café da esquina. Até ver. É uma evidência. E não perturba a digestão. Mas, foi outra. E tem a ver com mulheres. Não a conheci por ser amiga de um amigo meu, mas por ser amiga de uma amiga minha. É um dos reais caminhos para o conhecimento. O que de alguma forma lança uma séria suspeita sobre a aposta autonómica do iluminismo. Estamos dependentes uns dos outros. Para isto, para o conhecimento. E por mais. Porque a minha amiga que era amiga dela, começava a tê-la em fraca consideração. E eu fiquei dependente durante algum tempo dessa opinião. Durante algum tempo, pensei que fosse uma tonta. Não era uma pessoa fácil. Nem podia ser outra coisa. Movia-se num tempestade de neve. Estava em ruptura com o pai, com a mãe, com a irmã, com as colegas de escola, com os amigos, com o namorado, em ruptura com o mundo. E dedicava-se com frequência a fritar os nossos miolos. Isso, no entanto, por muito charme que tenha, – uma bela e rebelde mulher –, não foi a coisa que verdadeiramente me intrigou. Nem o que me fez mudar de opinião. Mas o facto de ainda assim, ter dias de vestir saia e casaco, sapatos de verniz, o cabelo apanhado com travessão, e usar um daqueles anéis com caveiras que se pode comprar nas Fontainhas por alturas de São João.

3 comentários:

Bastet disse...

:) adorei o saia casaco com anel de caveira!

a-bordo disse...

faço o que posso para vestir bem quem vem à escrita; talvez, não preste para nada, e se quiseres não respondas, mas aqui fica um outro desafio; futil, mas o que se há-de fazer? - como vestirias um teu amado para uma noite de gala? por exemplo, o de agora?

Bastet disse...

Querido a-bordo: vou vesti-lo e despi-lo por ti, a teu pedido, ainda que esse alguém não exista. Um beijo