3 de maio de 2005

H. Urs von Balthasar, Théologie de l’histoire, Plon, Paris, 1955. Para Balthasar, Cristo é quem e aquilo que permite ler a história. A história que está para trás, o passado de que dá conta o Antigo Testamento. A história que está para a frente, a história da Igreja. Na história, Cristo realiza a vontade do Pai. Vertical e horizontalmente. Horizontalmente, porque Cristo cumpre a vontade do Pai expressa no Antigo Testamento e insere tal vontade na vida futura dos homens. Verticalmente, porque Cristo encarna a descida da vontade do Pai até nós. Mas se Cristo realiza a vontade do Pai em dois movimentos históricos, um vertical e outro horizontal, tem também o seu tempo próprio. O tempo e a história de Cristo são para Baltasar um tempo e uma história onde o desejo de domínio dos acontecimentos é substituído por um abandono à sequência redentora marcada por três momentos fundamentais: a encarnação, a Paixão e a Crucificação. A partir desta dualidade, vontade de domínio e abandono, Balthasar lê a história posterior da humanidade. Por um lado, marcada pelo tempo da fé, da esperança e da caridade, por outro, pelo tempo em que a humanidade se afasta de Cristo, tempo de descrença, desespero e crueldade. Esta atenção à história e ao tempo leva Balthasar a dar imensa importância à paciência, que surge definida neste livro como a característica fundamental do cristão. A paciência, virtude maior do cristão, consiste, para Balthasar, na constante espera do Paraíso, sem revolta ou desespero.