13 de maio de 2005

Catolicismo 16. No entanto, é verdade que há católicos que deixam de o ser. E que insistem em não voltar à sua Igreja. Não vamos abordar as razões, de resto, polémicas e conhecidas, das grandes saídas em massa do catolicismo que se deram ao longo dos séculos recentes e que configuram de modo vago aquilo a que é habitual chamar protestantismo. Vamos aqui, apenas, fazer racionalidade rasteira, contemporânea. Vamos dizer o que supomos que acontece hoje ao crente comum quando resolve abandonar a Igreja a que pertence. Assim: se o católico comum resolve largar os seus hábitos, os seus mecanismos de prevenção e reposição de quebra de confiança, e insiste em não voltar para a Igreja católica, parece-nos que o católico deixa de ser católico, e não quer voltar a ser católico, não tanto porque não concorde com a teoria sacramental, com a dogmática, com a doutrina, ou com o catecismo, coisas que habitualmente não conhece bem, - e que pode bem não conhecer na base da confiança -, mas, porque tem uma relação de confiança pessoal quebrada. No andar de baixo onde se faz este post, o raciocínio é mais ou menos este: este paroquiano é assim, todos são assim; este padre é assim, todos são assim; este Papa é assim todos são assim. Mais coisa, menos coisa. Saio e por isso, não volto. Alguns poderão dizer que quem assim faz é lúcido. Outros dirão que quem assim procede é manifestamente cego. Num caso e noutro, pode ser que sim ou que não. Contudo, num caso e noutro, há que admitir que a “indução” que está em jogo, que sustenta a quebra e a manutenção da ruptura, nunca dirá com correcção o que passa em cada um dos casos que é um dos milhões de casos possíveis onde a afirmação de cegueira ou de lucidez se poderia testar. Sendo esta correcção de avaliação de todo impossível, confiar que se está bem, ou que se está mal na Igreja católica, obriga então a fazer intervir na confiança algo que vem de outro nível. Mas, não falemos dos ventosos caminhos da fé. Limitemo-nos a ficar pela terra.