10 de maio de 2005

Catolicismo 11. A Igreja a duas velocidades permite pensar porque para o católico, mesmo nas alturas em que a confiança está em crise pelo comportamento de outro católico, padre, bispo, cardeal, Papa, pode ainda assim, continuar a confiar na Igreja, pois, se vê pecadores, não estranha; mas se isso produz doses excessivas de desconfiança, estas podem ser trabalhadas da seguinte forma: a Igreja diz a existência de santos; que existiram; que nada impede que existam nos dias de hoje; isto possibilita ver no seio do erro e do pecado, focos de certeza e de obediência a Deus; assim, por muito que a confiança entre em desespero, ainda assim pode esperar, porque os homens santos lhe fornecem um horizonte não só de possibilidade como de realidade; deste modo, o crente comum, por muito desconfiado que ande, tem nos santos um esteio que pode suportar os naufrágios da sua confiança. E isto, tanto por causa do passado, como por causa do presente. Pois se lhe é dito que os santos existiram no passado, nunca lhe é dito que não possam existir no presente. Aqui, penso, talvez, mal, que uma das razões da “estratégia da santificação acelerada" por parte de João Paulo II passou pela percepção dos tempos que correm como tempos de crise, tempos que, por pouco fiáveis que sejam, ainda assim não deixam, como outros não deixaram, de fornecer motivos de confiança. Então:

6 comentários:

Anónimo disse...

Volto ao mesmo: porquê os santos se podemos ter directamente o "apoio" de Cristo? Porquê todas estas portas fechadas para chegar a Deus, quando Cristo veio precisamente derrubar o que separava Deus dos homens?
Há um velho hino protestante que diz "nenhum amigo há igual a Cristo". Quando o canto sinto sinceramente isso. Não quer dizer que seja o amigo da palmada nas costas. Ele continua a ser o Deus santo, omnipontente e omnisciente. A capacidade de relacionamente é muito limitada da minha parte. Mas Ele permitiu que ela acontecesse. Porque hei-de continuar a colocar barreiras? Bom, eu tenho algumas teorias, obviamente desfavoráveis para os católicos, sobre assunto. Mas vou continuar a ler. Aliás, tenho que reconhecer que a explicação que apresenta faz algum sentido dentro de uma lógica intercessória.

a-bordo disse...

Mais uma vez obrigado pelo comentário. A resposta às primeiras questões, a necessidade do apoio dos santos, surge porque o santo é para o católico, não apenas exemplo, é exemplo, mas por vezes, tendemos a ficar apenas por aí, mesmo que isto já não seja pouco, mas também alguém que tem também poder de ajudar. Penso que com isso, de algum modo a Igreja católica recuperou algo que tinha perdido com a necessidade que teve de excluir alguns dos primeiros movimentos carismáticos. Independentemente de juízos de valor, penso que isso joga na lógica contrária à da maça podre. Dá uma boa e… Fiquei um bocado a pensar na "lógica intercessória". Veja no que deu: se esta lógica for pensada, em termos individuais, no sentido de intercessão, pedido pelo outro, no sentido em que eu delego no outro um pedido que tenho para fazer, porque não mereço causar semelhante incómodo, penso que seria uma coisa boa. Porque poderia – sublinhe-se esse poderia, porque sei que pode existir por aqui algum risco de auto – comiseração, ser um sinal de humildade. Mas isto levar-nos-ia longe. Por exemplo, para a pertinência ou não da disciplina monástica. Em termos relacionais, sociais, é verdade que no catolicismo a dependência é levada a sério. E nele há uma valorização dessa dependência. Contudo, penso que esta dependência é para ser também levada a sério no protestantismo. O problema talvez passe pela direcção que toma e pelas instâncias que faz intervir. No catolicismo há um ir de baixo para cima, de resto, mal ou bem ilustrado pela hierarquia, enquanto no protestantismo há um vir de cima para baixo. No catolicismo, eu peço à Igreja que interceda por mim para que o Alto me acolha. O que faz intervir um triangulo. No protestantismo, é do alto que Jesus concede o acolhimento, numa relação bipolar. Por isso, talvez também por isto, não sei diga-me, a Igreja não tome a importância que toma no Catolicismo.

Anónimo disse...

Tem razão quando vê nessa relação bipolar com Cristo a chave para o conceito protestante de Igreja. Como é óbvio, dentro do mundo protestante o conceito varia bastante. Mas, mesmo na visão mais tradicionalista, não há confusão possível com o catolicismo. Posso dar-lhe o meu exemplo pessoal, como evangélico. Concebo a igreja simplesmente como grupo de crentes salvos e regenerados por Jesus Cristo. Unimo-nos para louvar e orar a Deus, para aprendermos e sermos corrigidos pela Sua Palavra, para “levarmos as cargas uns dos outros” e cumprirmos os mandamentos que Cristo deixou. Apenas isso. E todos estão exactamente ao mesmo nível. Mesmo o Pastor. A autoridade espiritual que detém não vem de um qualquer testemunho passado mas do dom específico que lhe é reconhecido pela igreja.
Claro que esta concepção só é possível aceitando o acesso directo do crente a Deus, através de Cristo. Cristo como cabeça e eu como um membro do corpo ligado à cabeça.
Só mais uma nota, para esta frase: “delego no outro o pedido (…) porque não mereço causar semelhante incómodo”. Parece-me que aqui está patente uma das consequências das repetidas mediações católicas. Se há coisa que Cristo deixou bem claro foi a de vermos Deus como um pai (a oração do Pai Nosso, por exemplo). Quem está em melhor posição para ser ouvido pelo pai do que o filho? Qual é o pai que prefere a presença de um intermediário à do próprio filho? Incómodo? Que seja. A repreensão que possamos ouvir será sempre feita com amor. Parece-me que muitas vezes a noção católica de Deus tem mais a ver com um chefe do que com um pai. E isso deriva da incapacidade de chegar directamente a Ele.

a-bordo disse...

Deixando de lado para já a frase, concordamos com muita coisa. Sobretudo nas linhas que delimitam diferenças. No entanto, veja aqui apenas uma pequena provocação, quando se fala de catolicismo e de protestantismo, parece que os problemas estão todos do lado dos católicos. Porque entre o homem e Deus, entre o homem, a Igreja e o homem, a mediação causa problemas – e causa, é inegável. Alguns, de resto, apontados por si: não é mediação uma bifurcação por onde podemos perder o contacto com Deus? Não é a mediação uma oportunidade de idolatria? - Mas, parece-me que nem por isso o protestantismo apresenta problemas menores. Se não veja: na relação bipolar e directa do homem com Deus, como pode alguém afirmar que tem uma relação directa com Deus? – Lembro-lhe apenas para andarmos em terreno neutro, os problemas que a mística sempre causou, nomeadamente, e para não fugir com o rabo à seringa, ao catolicismo. Ou na relação crente, crente, crentes, Pastor: em que se baseia a Igreja para reconhecer ao Pastor os seus dons? – Penso que não são questões fáceis. E que são problemas efectivos do protestantismo. Aqui, adianto uma provocação para todos os lados: talvez a fonte do ecumenismo, do diálogo, se se quiser, não esteja tanto numa procura de unidade, consensual ou à força, mas na constatação que todos, uns e outros estão pejados de problemas: na relação com Deus, com o mundo e nas relações que estabelecem dentro das diversas Igrejas. Mas isto sou apenas eu a falar. A dar a minha perspectiva muito, muito, unilateral.

Anónimo disse...

Tem razão quando afirma que todas as igrejas têm problemas. Falando da forma como se organizam, cada um dos modelos apresenta virtudes e defeitos. Aliás, é interessante constatar que Cristo não deixou nenhum modelo instituído. E, olhando o Novo Testamento, podemos ver que logo nas primeiras igrejas as formas de governo e organização variam. Claro que ao dizer isto não estou a colocar todos os modelos ao mesmo nível. Há uns que me parecem, em termos de doutrina e resultados, mais certos que outros, e isso obriga-me a uma opção (escrever isto num 13 de Maio facilita a convicção…) Mas provavelmente nesta área o diálogo é mais difícil. Porque trazemos para a mesa o peso do “clube” e de uma história nem sempre pacífica. É inútil pensar que as igrejas evangélicas e a Igreja Católica Romana algum dia poderão chegar a acordo. Desde logo porque partem de bases diferentes. Para os evangélicos a Bíblia. Para os católicos a Bíblia+Tradição+Magistério da Igreja. No entanto, podemos dialogar como crentes. E daí a minha insistência no tema da mediação. Porque que me causa perplexidade e me parece fundamental para a forma como entendemos o Cristianismo. E o diálogo tem valido a pena.

Anónimo disse...

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