9 de abril de 2005

Alvin Alvin 14.
O marciano tinha recebido a comunicação via rádio e tinha vindo para tentar falar com o responsável pela mensagem. Contudo, aterrara na quinta da minha tia, e, por isso, alguns quilómetros ao lado. Eu e ela não sabíamos das suas intenções, pois o marciano não sabia falar português. A minha tia decidiu ensiná-lo. E usou-me. Começou quando eu trouxe o lençol; apontou-o e disse lençol. Depois, disse pecado e apontou maliciosamente para mim. De seguida, deu-me alguns estalos e apertou-me o pescoço; quando a minha língua saiu para fora, disse: desprezo… E pior não aconteceu, sorte a minha, pois, o marciano aprendia depressa.

4 comentários:

Paula disse...

Eu não sei o que dizer, ou até mesmo o que pensar.

Resta apenas dizer apenas que Adorei!

http://divinadecadencia.blogspot.com/

Bastet disse...

sobre o marciano e o lençol de teologia ainda não consigo pronunciar-me mas ia jurar que tinha lido por aqui um pequeno post que anunciava uma banheira lavada. E como de uma banheira, nas tuas palavras e pensamentos, se chega por vezes a uma nave espacial ou ao especial momento em que coçamos a cabeça e finalmente dizemos "Eureka", passei por cá a ver da banheira. Será que foi uma ilusão minha ou o desaparecimento da banheira também tem que se lhe diga? :) um abraço.

a-bordo disse...

Paula: fico contente que tenhas gostado e contente por o teres manifestado deste modo.

Bastet: não sei bem como responder-te. Comecemos pelo início. Se como Newton aprecio a caída da maçã dentro da grande e enorme teoria da atracção universal, por vezes, aprecio apenas a caída da maçã. Um pensamento que leio ou tenho, que diz qualquer coisa como está a chover, quando chove ou não chove. E foi o que aconteceu quanto à banheira. Ao olhar para a minha banheira, pensei: lavar a banheira. Repara: não disse: é preciso lavar a banheira. Ou: é importante lavar a banheira. Apenas: lavar a banheira. E por isso, não vou atraiçoar tão simples singularidade continuando-a com qualquer história ou teoria. Vai ficar por ali. Assim, vou apenas tentar-te dizer-te porque saiu.
Porque saiu? – Porque, na semana em causa, não postei grande coisa, porque estava ocupado com o que estava ocupado. No meio disso, apareceu-me o lavar a banheira. Coloquei-o. Olhei-o. E não achei bem. Não porque estar ali no meio daquela semana fosse negativo. Acho que coisas assim, são do melhor que podemos fazer em semanas como essa. Não me vou alongar sobre isto, já escrevi muito do que melhor poderia dizer sobre isso, aí para baixo, em comentário. Mas, saiu porque quando contemplava o post com o lavar da banheira, via nele uma série de recorrências polissémicas que começavam a prejudicar a sua beleza. Para o preservar, retirei-o. Tenho para mim, que pensamentos como lavar a banheira, merecem duas coisas. Quando são lixo mental, não vale a pena ir atrás deles. O lixo mental, qualquer coisa que tecnicamente julgo chamar-se, embora não perceba muito disso, pensamento intrusivo, traduz-se por frases, pensamentos, ou, num outro registo, por sentimentos isolados. O melhor que nos podemos fazer é deixar que venham e esperar que se vão. Há por outro lado pequenas cintilações que o melhor que lhes podemos fazer é preservá-las. Penso que isso passa por não as carregarmos com teorias ou contextos. Penso que o sabe quem se deleita com a jarra de flores esquecida ao pé da janela. Só que por vezes, tem de tirá-la, pois a luz é demasiado forte. Quando o faz, olha para o local onde estivera a jarra, sente uma enorme saudade e o advento de um pequeno vazio. É tudo. E é o que ainda agora sinto. Dizer isto é tudo o que posso fazer quanto ao lavar da banheira. Dizer-te a ti, obrigado, como podes perceber, pelo lacrimejar deste comentário, é pouco.

Bastet disse...

Obrigada. Volto aqui diariamente com ou sem banheira. Para retorquir ao habitual abraço deixo um beijo.