19 de abril de 2005

Alvin 23.
O agente Roberto e o agente Gonçalves interrogaram-me. Mister Jones e Mister Smith assistiram. Pelo que agora sei, pelo que depois a tia e o professor me disseram de viva voz, – ao Jipe, como veremos, tal não foi possível –, perguntaram-me o que a eles tinham perguntado. Por isso, o meu interrogatório demorou pouco. O do professor mais, porque grande parte do tempo foi ele a interrogar: o que pensavam da contaminação química, era ou não o maior perigo para a humanidade, o que pensavam da existência de Deus ou da função da humildade na vida profissional, porque não aproveitavam Jipe para mostrar ao mundo que ainda havia no Universo quem se interessasse por teologia, ou porque não aproveitavam a presença marciana para fomentar o turismo internacional. Segundo o professor, os agentes não tinham ficado nada incomodados com o interrogatório. Antes pelo contrário. Mostraram muito gosto na conversa. Levaram a sério as perguntas, embora, apenas tivessem respondido ao estilo americano: «sim», «não», «talvez», «não tínhamos pensado nisso.»