2 de março de 2005

Perdoar, uma lição difícil. Nas Palavras:
Disse Jesus:
"Se perdoardes
aos homens
as suas ofensas,
também vosso Pai Celestial
vos perdoará a vós."
(Mateus 6:14)

10 comentários:

Anátema Device disse...

Se soubesses o que penso... nunca me perdoarias. Disse a cigarra para a formiga, enquanto olhava para a sua cinturinha...

Bastet disse...

Curioso que tenha sido Jesus a pedir ao Pai que perdoasse algumas ofensas. Aquelas dos que não sabiam o que diziam. Pois se soubessem, não seria ainda assim certo que o Pai lhes perdoaria? Perdoemos pois a todos e todas as suas ofensas ou apenas aquelas que são ditas por quem não as sabia dizer melhor?

a-bordo disse...

Bastet, acho que a estrutura é mais ou menos esta: Deus perdoa-nos, nós perdoamos; agora o que levantas - perdoa a pompa - é sumamente interessante: de facto, para perdoar as ofensas, e do mesmo modo para ofender, é preciso conhecer o que nos ofende e aquilo com que ofendemos os outros; e aí parece-me ser verdadeiro tanto quanto a minha experiência o pode confirmar, que por vezes não percebemos que nos ofendem, nem temos consciência daquilo com que ofendemos os outros; há, de facto, um véu de ignorância; como desfazê-la?

Bastet disse...

A intencionalidade da ofensa e a "validade" do perdão está inevitavelmente ligada ao conhecimento. Daqui o aparente paradoxo do "perdoai porque não sabem o que dizem". Havia intenção mas haveria "verdadeiro" conhecimento? Creio que não. A ignorância não impossibilitará o perdão (mantém-se: como perdoar o que não sabemos ter-nos atingido?)mas prejudica a intencionalidade da ofensa? E no ensinamento do perdão está um incentivo ao conhecimento?

a-bordo disse...

A última pergunta parece ser a mais fácil de responder: é incentivo e primeiro passo de conhecimento; as outras supõem algo de mais complicado, porque por um lado, mantenho o que já disse: por vezes, o perdão é impossível pelo véu de ignorância que o tolhe; mas tu obrigas-me a andar para a frente, e nessa frente sou obrigado a tentar afinar um pouco mais as coisas; penso de um modo grosso que temos grossamente dois níveis de conhecimento; isso traduz-se assim: por vezes, no primeiro nível, por exemplo, a consciência que se tem de uma relação traduz-se pelo julgarmos que tudo está mal ou que tudo está bem; mas há um segundo nível que nos diz que as coisas não são assim. Que se está bem, afinal apenas parece, que se está mal, afinal apenas parece. Penso que se há em nós muita ilusão e que esta é habitualmente produzida no primeiro nível, há também em nós um conhecimento do verdadeiro; só que nós preferimos a ignorância ou a ilusão. E ajudamos essa ignorância fazendo desaparecer do conhecimento de primeiro nível grande parte daquilo que nele poderia identificar a verdade... Gostaria de saber o que pensas disto.
um abraço

Bastet disse...

Assim sendo teremos sempre oportunidade de perdoar e conhecer o que nos ofende e com que ofendemos. O véu de ignorância está então ligado à ilusão confortável. Acredito nessa verdade residente que apesar de aparentemente mais difícil está muitas vezes (em mim) ligada ao que chamo de instinto e que julgo ser primário. Mais um paradoxo? Ou não será instinto? Podem ser lampejos dessa verdade pura e que eu erradamente empurro para um suposto nível mais que primário e consequentemente nego ao invés de aceitar que são verdadeiras pistas para o afastar da desejada ilusão. É que se assim for, aquilo a que chamo de processo pessoal de conhecimento poderá estar a ser um processo pessoal de estupidificação. E agora vejo que assim pode ser. Mesmo no meio da ilusão creio por vezes perceber que estou em estado "narcótico".

Anónimo disse...

Há uma passagem do Novo Testamento que aborda parte deste assunto. A atitude essencial é o amor. O que conta para Deus é emsmo a intenção.
Diz I João 3:18 a 21: "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de facto e de verdade. E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranqüilizaremos o nosso coração; pois, se o nosso coração nos acusar, certamente, Deus é maior do que o nosso coração e conhece todas as coisas.
Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus"

a-bordo disse...

Para o amigo Anonymous um obrigado pela contribuição.

J. S. Regueiras disse...

Meu caro, muito obrigado por ter citado a Palavra.
Um abraço.
jsr

Anónimo disse...

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