30 de março de 2005

p.s. Aspectos sociais do pecado. Tradução free.
Alvin 10.
Alvin Plantinga, Warranted Christian Belief, Oxford University Press, New York, 2000, pp. 206-207: «O que é o pecado? Seja o que for, é duplamente surpreendentemente profundo e profundamente elusivo. De acordo com o modelo, existe primeiro o fenómeno de pecar; de fazer o que é errado, o que é contrário à vontade de Deus. Isto é algo do qual o pecador é responsável; é culpado e merece condenação – mas só se ele reconhece que o que fez é pecado, ou se é culpado de falhar esse reconhecimento. Há também a condição de estar em pecado, um estado no qual os seres humanos se encontram desde o nascimento. Um termo tradicional cristão para esta condição é ‘pecado original’. Ao contrário de um acto pecador que eu cometo, o pecado original não precisa ser pensado como algo pelo qual eu sou culpado (o pecado original não é originariamente culpa original); como eu nasci com esse predicamento, estar nessa condição está fora do meu controle e por isso não é comigo. (…) Como aconteceu que nós, seres humanos, nos víssemos nesta desesperada e deplorável condição? A resposta cristã tradicional: como resultado das acções pecadoras de Adão e Eva, nossos pais originais e primeiros seres humanos. Se isto aconteceu realmente ou não é um assunto no qual o modelo não precisa de tomar uma posição. O que é parte do modelo é que de facto nós estamos nessa condição. G. K. Chesterton sublinhou uma vez que de todas as doutrinas cristãs, a doutrina do pecado original tinha a maior forte pretensão à “verificabilidade empírica”, a qualidade que nos idos dias do positivismo foi vastamente tomada como o verdadeiro critério de “sentido cognitivo”; ela foi verificada em guerras, crueldade, no ódio generalizado que caracterizou a história humana desde o seu início até ao presente. De facto, nenhum século parece ter tido mais ódio organizado e crueldade do que o nosso, e nenhum viu isto em tão grande escala. O nosso século em particular tornou-nos capazes de ver o lado social do pecado. Nós, seres humanos, somos profundamente comunitários; nós aprendemos com os nossos pais, professores, e outros, tanto por imitação como por preceito. Nós adquirimos crenças deste modo, mas igualmente importante (e talvez menos consciente), nós adquirimos atitudes e afeições, amores e ódios. Por causa da nossa natureza social, o pecado e os seus efeitos podem ser visto como um contágio que sopra de um para o outro, eventualmente corrompendo uma sociedade inteira ou um seu segmento.»