3 de março de 2005

Alvin Plantinga, God, Freedom, and Evil, Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids/Cambridge, 1977. A proposta deste livro é simples: dar conta da racionalidade da crença teísta. A leitura é complicada. Disso somos avisados, pelo próprio autor: é preciso tempo, paciência e trabalho. Muito disto porque alguns dos problemas centrais da religião, o problema da relação de Deus com a liberdade, e o problema da relação de Deus com o mal, são tratados na linguagem da filosofia analítica e daí o constante recurso à lógica e à argumentação. Se este é um livro de filosofia, pretende ser um contributo a uma temática que corre áreas não filosóficas. Nas palavras do autor: «claro que este tópico – a racionalidade da crença teísta – não está restringido à filosofia ou aos filósofos. Joga um importante papel na literatura – no Paraíso Perdido de Milton, por exemplo, nos Irmãos Karamázov e em algumas novelas de Thomas Hardy. Este mesmo tema pode ser encontrado na obra de autores recentes, por exemplo, Gerard Manley Hopkins, T. S. Elliot, Peter de Vries, e talvez, John Updike. Pode ser difícil, se não impossível, dar uma clara definição de uma aproximação filosófica em oposição a uma aproximação literária do tema. E também desnecessária. Um caminho melhor para sentirmos a aproximação filosófica passa pelo exame de exemplos representativos. Este livro é um tal exemplo.» (Introdução, 3).