15 de março de 2005

Alvin 6 (retoma de comentário anterior).
Plantinga é dos melhores pensadores cristãos actuais. Uma das razões começa por ser esta: não será difícil encontrar bons pensadores, próximos de nós, que pensam a partir da tradição cristã, por exemplo, agostiniana e tomista. Daí o meu apreço, por Lubac. Mas no caso de Lubac, não podemos dizer que este autor alguma vez se confronte directamente com o que a contemporaneidade filosófica vai produzindo. Ou se quiser, podemos dizer que o seu confronto é diferido. Lubac afirma e podemos jogar as afirmações contra o que diz Freud e Nietzsche, Hume, Dennett e Dawkins.
O interesse de Plantinga é que sendo alguém que vive da mesma tradição cristã, este livro é marcado fortemente por Tomás e Calvino, pensa directamente esta tradição contra Kant, Freud e Nietzsche, Hume e Mackie, Dennett e Dawkins. Mas se fica por aqui. Já que o seu intuito polémico usa alguma da linguagem mais corrente da filosofia contemporânea e porque se dedica a pensar de um modo directo uma das temáticas maiores da filosofia pós kantiana: o conhecimento.
Não é minha opinião, é, por exemplo, a de Lubac, – e dito de modo esquemático –, que os pensadores cristãos viveram a modernidade e a pós modernidade num certo atavismo. E por isso tiveram dificuldade em confrontar-se com o que foi produzido por Descartes, Kant, e por aí fora. É, entretanto, minha opinião que Plantinga, ao fazer o que faz, e no modo como o faz, não só entra no confronto com solidez, como o faz recolocando vivacidade no pensamento cristão.