1 de abril de 2005

Tim: «Penso que no referido livro a aversão à velhice surge como um sub-produto do hedonismo libertário. Parece-me de facto estruturalmente incompatível o exacerbar do princípio do prazer com a aceitação do princípio da realidade. Freud dixit...» - Podemos perguntar: será que o hedonismo libertário e sua aposta no prazer trazem como sub-produto a aversão à velhice? Ou será que é a aversão à velhice que traz consigo como sub-produto o hedonismo libertário e sua aposta no prazer? – Se aceitarmos que ambas, uma coisa, hedonismo, e outra, aversão à velhice, estão intimamente relacionados, pode parecer que estamos perante a antiga questão da galinha e do ovo: quem nasceu primeiro, o hedonismo ou a aversão? – Assim encarada, a questão parece não ter grande importância. Talvez seja. Mas, se lhe dermos uma volta, talvez mereça um pouco da nossa atenção.
Dizer que é o hedonismo que produz a aversão à velhice, é fazer do hedonismo uma aposta positiva. Há uma aposta no hedonismo e a partir daí surgem consequências: valorizar o prazer, valorizar as fases da vida onde é potenciado; desvalorização do desprazer, desvalorização das fases da vida onde o desprazer é potenciado… Então, o hedonismo é claramente visto como algo positivo. E o prazer surge então como o centro sobre o qual tudo gira.
Até aqui tudo parece claro. Já não é tão fácil lidar com a segunda opção, dizer que é a aversão à velhice que leva ao hedonismo e ao culto do prazer. Em primeiro lugar, porque uma coisa é apostar numa coisa – como no caso da aposta no prazer –, outra coisa é apostar em rechaçar uma coisa – como no caso da aversão à velhice. Habitualmente, temos tendência a pensar que apostar numa coisa é algo que deve ser avaliado positivamente e que apostar numa aversão é algo que deve merecer alguma avaliação negativa. Mas, num segundo momento, podemos ver que quando fazemos de uma aversão a aposta principal e quando a dizemos assim, é porque há algo que entretanto não foi dito e que ainda assim é principal.
No caso da aversão à velhice, se existe aversão à velhice é porque existe apego à juventude. É porque há um primeiro apego à juventude que rechaçamos a velhice. Se este raciocínio for correcto, teremos então: é o apego à juventude que traz como primeiro sub-produto a aversão à velhice e como segundo sub-produto, a aposta no prazer. Ou de um modo rápido: é a aposta na juventude que traz como sub-produto o prazer.
Agora, se tomarmos como ponto de partida a primeira questão colocada “será que o hedonismo libertário traz consigo como sub-produto a aversão à velhice?”, podemos, então, também, com os dados agora obtidos, traduzir a questão do seguinte modo: será que o hedonismo libertário traz consigo como sub-produto uma aposta na juventude? - E a partir daqui podemos reformular o dilema inicial: será que é o hedonismo libertário que traz como sub-produto uma aposta na juventude ou é a aposta na juventude que traz consigo como sub-produto uma aposta no hedonismo?
Este dilema não interessa!? Pode ser. Ou talvez não. Não talvez se voltarmos ao ovo e à galinha. Mas sim talvez, se pensarmos no dilema em termos de centralidade. Na primeira opção, o hedonismo arrasta para si a juventude; na segunda, a juventude arrasta o hedonismo. Na primeira, o hedonismo faz de maquinista; na segunda, a juventude puxa o comboio.
Como é óbvio, decidir da centralidade do hedonismo ou da juventude depende em última instância do que julgamos prazer e juventude, como se cruzam ou como se deveriam cruzar um e outra.

2 comentários:

timshel disse...

Fico agora à espera de uma análise à segunda parte: será incompatível o exacerbar do princípio do prazer com a aceitação do princípio da realidade?

Um abraço

Anónimo disse...

Keep up the good work Hot pamela anderson