8 de fevereiro de 2005

G. K. Chesterton, Santo Tomás de Aquino, Edições co-redentora, Rio de Janeiro, 2002. Aqui se define o catolicismo em função de uma noção que adormeceu e que hoje parece adormecida: a Criação. Para Chesterton, esta noção permite diferenciar o catolicismo de outras confissões cristãs. A Criação obriga a ver o mundo como uma obra boa, o mal como secundário. Por isso, a noção de Criação serve como base para uma atitude optimista, que entretanto não deve ser confundida com um qualquer pateta tudo vai correr bem. Se para Chesterton, este optimismo é o que melhor caracteriza o Catolicismo, para Chesterton, São Tomás representa então aquilo que melhor o configura, na medida em que se a Encarnação não perde saliência em São Tomás, a Criação ocupa no seu pensamento de São Tomás um lugar predominante. Pela Criação, o Católico é não só obrigado a reconhecer o mundo como algo bom, mas a pensar o corpo e os sentidos afinados para dar conta do mundo e para no mundo escutarem a verdade.Por aqui, Chesterton advoga polemicamente que Lutero nunca poderia ser tomista e que assim se compreende a sua filiação em Agostinho. Mantendo este registo polémico, Chesterton afirma que o que se passou com a Reforma, a ênfase na Graça de Deus, pode tornar secundária a responsabilidade que cabe a cada um dos homens.
P.S. Um agradecimento especialíssimo a Marcus Pimenta. Ele sabe porquê.