3 de janeiro de 2005

Aos trinta anos, aconteceu; aos trinta e cinco, o mesmo; aos quarenta, cometi o erro; aos quarenta e cinco, teimei; aos cinquenta, até quando.

5 comentários:

Marco disse...

Aniversário? :-)

a-bordo disse...

Não, Marco, não. O aniversário vem quando há calor. O que penso aqui é uma das estruturas que nos molda: a repetição do erro... De qualquer modo, obrigado. E um abraço para ti.

CAP disse...

Não me digas que te viraste para Oriente: o karma, a reencarnação (do erro), o nirvana...
Ano novo?...

Bastet disse...

Primeiro aconteceu, depois foi cometido, de seguida ateimado e agora questionado. "Até quando"? Até à evidência de que não será um erro? Pergunto eu...

a-bordo disse...

Temos de conceder a primazia, goste-se ou não, ao Vizinho do Mar no lançar as palavras como redes. Quando as leio, não raro recolhem as redes do Vizinho, peixes azedos, carapaus surpresos, camaleões aquáticos. Peixes que navegam do meu barco para o mar. Mal dispostos ou atónitos ou mudando de forma. Mas sempre em deslocação… O meu lugar nessa arte, na arte de lançar as palavras como redes, na arte de apanhar peixe desconhecido, é frágil. Não raro disfarça a falta de tempo para dizer até ao fim. E funciona como as más alegorias de Borges. Outras vezes, não. As palavras chocam e entrechocam e ganham aparência. Ficam. Deixo-as. Por vezes, penso nos peixes que poderiam apanhar. E sim, Bastet, poderia ser esse peixe. Um peixe feliz. Quase um peixe feio patinho que afinal era cisne... Não tinha pensado nisso. E por isso, fico contente... O que tinha pensado? – Não é altura de estragar tão feliz descoberta.
Um abraço.