28 de janeiro de 2005

Alvin 3.
Ora estava eu, a tentar traduzir, sorry, fica em inglês, «my aim is to show how it can be that Christians can be justified, rational (both internally and externally), and warranted in holding full-blooded Christian belief – not just ‘ignorant fundamentalists’ but sophisticated, aware, educated, turn-of-the-millennium people who have read their Freud and Nietzsche, their Hume and Mackie (their Dennett and Dawkins)» (mesma página mesmo Alvin), quando imaginem – que imaginam bem –, eu aqui sentado com o meu cachimbo, a mão demasiado preguiçosa para ir à mistura da onça, e assim fumegando, porta fechada, my flower. Imaginem o ar: fumo doce em doce vício… Acabou. Fui surpreendido por minha mãe. Mal abre a porta, atira com uma revista à minha cabeça.
- Mãe, mas eu estava a ler o Alvin!
- Quando começas não fazes mais nada!
- Mãe, mas é teologia!
- Se queres teologia, apanha isso do chão... - Apanhei. Era um almanaque do Tio Patinhas... Misteriosas e sábias são as mães. Mas quem é que lhes dá ouvidos?

4 comentários:

a-bordo disse...

Duas considerações extra sobre este post:
1. Não é teologia; também vive dela, mas é sobretudo epistemologia da crença religiosa; mas para essas definições está-se a marimbar a minha mãe.
2. Post só possível pela minha crença – reforçada – e este reforço da crença, já dava outra e também outra tanta epistemologia – de que eu e os leitores vivemos em ambiente familiar e é isso que justifica que aqui se contem episódios da minha vida familiar.

Anónimo disse...

confused? you won't be after reading this post!

http://www.observador-atento.blogspot.com/

a-bordo disse...

Caro observador atento. A sua exclamação merece alguma informação adicional. Não sei se para si é precisa ou não. Se não for, é só andar em frente. Se for aqui vai. E assim vamos ao Alvin. Como disse, em post anterior, considero Plantinga um dos melhores pensadores cristãos actuais. Uma das razões começa por ser a que transparece nesta citação. Não será difícil encontrar bons pensadores cristãos, próximos de nós, que pensam a partir da tradição cristã, por exemplo, agostiniana e tomista. Daí o meu apreço, por exemplo por Lubac. Mas no caso de Lubac, não podemos dizer que alguma vez se confronte directamente com o que a contemporaneidade filosófica vai produzindo. Ou se quiser, podemos dizer que o confronto é diferido. Lubac afirma e podemos jogar as afirmações contra o que diz Freud e Nietzsche, Hume e Mackie, Dennett e Dawkins.
O interesse de Plantinga é que sendo alguém que vive da mesma tradição, este livro é marcado fortemente por Tomás e Calvino, pensa tal tradição no seio de Freud e Nietzsche, Hume e Mackie, Dennett e Dawkins. Quer isto dizer que usa por exemplo a linguagem analítica de muita contemporaneidade, quer isto dizer que uma das suas maiores temáticas é a temática pós kantiana do conhecimento.
Não é minha opinião, é a de Lubac, – e dito de modo esquemático –, que os pensadores cristãos viveram pós modernidade num certo atavismo. E nessa opinião, tiveram dificuldade em confrontar-se com o que foi produzido por Descartes, Kant, e por aí fora.
É entretanto minha opinião que Plantinga, ao fazer o que faz, e no modo como o faz, repõe vivacidade nesse mesmo pensamento. O que faz? – Neste livro, discute a justificação da crença cristã, isto é, é ela racional, é garantida? - no que isso tem a ver com os processos internos cognitivos, no que isso tem a ver com a relação dos nossos processos cognitivos com a realidade...
Isto, como deve supor, é dificilmente discutível em blog, mais sem prévia leitura do livro. A minha intenção nestes post e em outros que se seguirão é apenas despertar algum potencial leitor para essa leitura.
Um abraço.

Anónimo disse...

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