6 de dezembro de 2004

A propriedade da terra - a propósito da terra, mas não desta que esta no ar; uma anterior. Gosto de questões assim. E gosto que sejam colocadas por quem vive a influência que se manifesta viva por trás delas. Significa que a influência inquieta. Que tem capacidade de inquietar. Revolve terra. Não a deixa adormecer. Quem se lembraria hoje, de discutir a propriedade da terra? – É questão ultrapassada, diz-se. Quem se lembraria hoje, de discutir a doação da terra à humanidade, não a mim ou a ti? A vós? Então:
«O Catecismo da Igreja Católica (certamente também considerado por muitos como mais uma obra ideológica ultrapassada, que não se compadece com os tempos modernos, uma manifestação do desajuste da Igreja à contemporaneidade) refere expressamente que o direito à propriedade privada não vem abolir a doação original da Terra ao conjunto da humanidade (2403). E a Constituição Gaudium et Spes adverte que «quem usa desses bens não deve considerar as coisas exteriores, que legitimamente possui, só como próprias, mas também comuns, no sentido que possam beneficiar não só a si mas também aos outros» (69 § 1).»