6 de dezembro de 2004

Alasdair MacIntyre, Marxism and Christianity, Notre Dame Press, 1984. Obra primeira do pensamento de MacIntyre, depois posta de lado – porque Alasdair passa a viver debaixo da influência de Aristóteles e depois debaixo da influência de São Tomás –, tenta abrir pistas para uma síntese entre marxismo e cristianismo. O texto não é fácil. Começa por considerar possível a tradução e a secularização da mensagem cristã. Afirma esta tradução e esta secularização com origem nos trabalhos de Hegel e Feuerbach. E vê a continuação desta estratégia nos primeiros trabalhos de Marx.
Nestes dá conta de uma antropologia que se vive de um cristianismo secularizado, fornece a Marx o crivo pelo qual Marx lê o seu tempo, fornece a Marx as orientações que lhe permitem perspectivar o futuro. A partir daqui, MacIntyre coloca esta antropologia em tensão com a leitura económica e a futurologia social marxista, e acaba por dizer que o marxismo não foi capaz de reactualizar o modo como vê a natureza humana, cooperativa e criativa, sobretudo face às variações sociais que surgiram a partir da segunda década do século vinte.
Ainda assim, advoga a necessidade de uma reactualização do marxismo, já que o considera a única visão social global que o homem contemporâneo tem disponível para dar conta da sua vida. Por isso, insurge-se contra o liberalismo. É, entretanto, nesta aposta de globalidade, e nesta recusa do pensamento e da prática liberal que podemos ver grande parte do MacIntyre posterior, na medida em que se anuncia aqui o seu desejo de encontrar uma alternativa à cisão contemporânea entre ética e política e sociologia.