10 de novembro de 2004

«O sábio e o asceta: a proliferação da vida monástica, começada possivelmente no Egito e na Síria a partir dos séculos 4 e 5, inspirada nas figuras de Antão, Macário e Pacômio, resultou de um deslocamento do modelo ideal de vida a ser imitada. Na sociedade clássica antiga, o ideal de vida perfeita, harmonizando estudo e razão, se realizava na Academia platônica ou no Liceu aristotélico, onde um grupo limitado de discípulos seguiam os ensinamentos de um filósofo consagrado. Com a crise do paganismo as academias filosóficas entraram em declínio ou foram perseguidas e o novo modelo a seguir centrou-se no" homem de Deus", no asceta que vivia no deserto, ou no exemplo de Simeão Estilita, um eremita sírio que viveu 40 anos preso em cima de uma coluna. Foram eles, consagrados à oração e à devoção, os precursores dos monges, e os mosteiros nada mais foram do que a conclusão lógica daquele tipo de opção de vida.» (link)