1 de outubro de 2004

(2NP) Somos já cinco a falar do Inferno: O Tim, John Steinbeck, o Carlos, eu e o Lodge. O que não deixa também de ser curioso. Mas antes de vermos a natureza deste conceito e que tem a ver com o Sporting, prossigamos dizendo então que é verdade que o pobre do Bernard mesmo tendo sido padre e agora professor de teologia não podia ajudar muito a tia que com um cancro se encontrava perto da morte. Mas antes de trazermos as páginas onde a tia debita indignação pelas perspectivas adocicadas do Inferno, vamos tentar perceber o que adocicara a visão de Bernard do lugar maldito. Como se poderá constatar as razões são eruditas.
Num primeiro momento vive uma erudição calma. Bernard vive uma fé sossegada. Vivendo como professor num seminário: «os nossos mestres episcopais não nos encorajavam a perturbar a fé dos cada vez mais raros recrutas do sacerdócio, expondo-os ao choque nu e cru da moderna teologia radical. Os anglicanos encarregavam-se de dar todos os passos nessa direcção e nós retirávamos uma certa alegria maliciosa da contemplação dos tumultos e ameaças de cismas na Igreja de Inglaterra provocada por bispos e sacerdotes que negavam a doutrina da Imaculada Conceição, a Ressurreição e até a divindade de Cristo. Eu tinha uma piada que costumava incluir todos os anos na minha aula de apresentação, dizendo que os desmitologizadores tinham deitado fora o Menino Jesus juntamente com a água do banho (…)” (obra citada, 164)