19 de outubro de 2004

(15NP) O reconhecimento da disfunção é uma tarefa difícil. Pense-se por exemplo no cancro ou na sida. Algo no organismo é disfuncional, mas o quê não é fácil saber. Do mesmo modo, – ou pior – se pensarmos em coisa bem menos grave, por exemplo, no erro ortográfico. Aqui, erramos porque pura e simplesmente não sabemos o que seja... O pecado não é um fenómeno que possamos considerar mais fácil. O pecado implica uma quebra na adequação do comportamento com a vontade de Deus. O que implica algum conhecimento do que possa ser essa vontade. Isto justifica algo que a um primeiro olhar parece paradoxal. De facto, se no pecado há a tristeza pelo reconhecimento de que não somos capaz de cumprir com as indicações dessa vontade, por outro, há também a alegria de saber que estranhamente avançamos pelo menos um passo. De facto, o reconhecimento do pecado implica que de algum modo nós já conhecemos nem que seja de modo mínimo o que essa vontade quer de nós. O que já não é pouco. Falta apenas tudo o resto. O que é muito. Mas antes, diz o século sétimo, é preciso acertar as contas. Mas vejamos entretanto o modo indicado por Santo Agostinho para as acertarmos.