4 de outubro de 2004

(4NP) Voltemos então ao Fernando Santos. Disse o treinador actual do AEK de Atenas que muito tempo atrás quando tinha deixado o Amadora – penso que a meio da época – viu-se confrontado não só com uma situação de desemprego, como com alguma dificuldade de ocupar o tempo. Por outro, e por motivos adicionais, a sua vida não corria bem. Num desses dias, foi confrontado com uma proposta inusitada. Um amigo convidava-o a frequentar um curso de cristandade. Perante, esta proposta inusitada, deu Fernando Santos – pouco dado na altura às coisas da religião – uma resposta pouco previsível: aceitou. E assim, sem perceber bem porquê, viu-se com uma mala na mão a entrar numa camioneta, a sentar-se no meio de desconhecidos, e no meio de desconhecidos a ficar longe da família durante alguns dias. Penso que há aqui uma pergunta evidente: - nos tempos de alguma glória do trabalho no Estrela teria aceitado semelhante proposta? – A resposta óbvia parece ser não. E a coincidência – é de coincidências que tratamos – é que tal proposta foi feita numa altura em que nem ele sabia que estava preparado para aceitá-la. Depois, as coincidências continuam. Se ficou no olhar de todos, a proposta do Pinto da Costa para que ele trabalhasse nas Antas, se os portistas o lembram como o engenheiro do Penta, é esquecido por muitos e por muitos nas estatísticas do futebol que o estádio das Antas era talvez – que sei eu disto? – o estádio português mais próximo de uma Igreja. Igreja porque à capela ganhava o antigo estádio da Luz e a mulher de Manuel Damásio. Assim, religiosamente reconvertido e inesperadamente, essa reconversão foi coincidentemente apoiada pelo simples facto de lhe bastar atravessar a rua para rever tudo o que recentemente aprendera no curso de cristandade. Coincidências! - Elas, penso eu, trabalharão ainda. Mas deixo a terminar uma última. Quando Fernando Santos saiu do FCP para trabalhar na Grécia e numa Grécia Ortodoxa, adivinhem o que se atravessava no seu caminho para o trabalho? – Uma Igreja Católica.