27 de outubro de 2004

(18NP) Antes que isto vire a página dos classificados do notícias, com mais uma notícia sobre a terra – mais uma vez com sabor a caril –, mas sem fugir a alguma da sua temática – apenas não vendemos apartamentos, nem carros em segunda mão –, vamos continuar com a história medicinal dos pecados. Vimos em Santo Agostinho remédio suave – ou aparentemente suave. Vamos ver agora algo mais duro – ou aparentemente mais duro. Digamos em traços gerais o seguinte: o Cristianismo depois de se progredir nas Ilhas Britânicas, viu-se com o problema de lidar com o pecado e encarou a tarefa com inusitado rigor. Isso traduziu-se na elaboração de um sistema inédito de pagamento – penitência tarifada – dos pecados através de uma lista de penitências. Assim, a cada pecado foi assinalado um determinado período de oração, jejum ou mortificação.
«Nós conhecemos este sistema através de muitos pequenos manuais, conhecidos como Penitencials (…) textos rudes. Nas suas discrições dos pecados não havia nada que não fosse preciso. Um simples Penitencial abrangia desde explosivos casos de perjúrio e assassinato aos mais íntimos detalhes do comportamento sexual. A fornicação por um bispo era mencionada a par com as relações sexuais com animais, com a masturbação, com as relações sexuais com a esposa “por trás, à maneira dos cães”, e com os jogos sexuais das crianças. Cenários inteiros de tentação eram descritos e era deixada a apropriada penitência para cada acto.»
(Brown, op. cit., 243)