16 de setembro de 2004

Conhecemos a cena de nós e do cinema. O rapaz depois de se apaixonar pela rapariga, à noite, sozinho no quarto, ensaia vezes o discurso que o levará no átrio da escola à primeira tentativa de contacto com a rapariga. O desfecho é típico. Nunca diz o que previamente tinha ensaiado. Entretanto, nos momentos nocturnos em que ensaia o queres vir ao café comigo, à piscina ou ao cinema, tudo nele é tremura. Sabe aí, sem que o saiba, que o que ensaia não se dirá. Então, porque teima em tanto dizê-lo? – Também isso é névoa ou cegueira. Dizia Jesus: não vos preocupeis com o que haveis de dizer nas praças ou nos tribunais. Traduzo assim: não vos enoveleis, não vos encerreis. Se tiver que acontecer, acontece.