30 de junho de 2004

Walker Percy, The Thanatos Syndrome, Picador, 1999. De vez em quando, emergem à luz pública, autores das nossas afinidades. Percy, Walker, é um deles. Cristão e católico, é hoje uma das poucas vozes a colocar essas marcas na produção ficcional. No seu livro síndroma de thanatos, Percy ficciona uma nova modalidade de messianismo social. Depois dos paraísos propostos por mutação social e económica, por eugenia, por mutação genética, neste livro é-nos proposta uma solução simples e química: misturado sódio pesado na água canalizada de Feliciana em Louisiana, os problemas psíquicos, sexuais e criminais vão desaparecendo. Mas, como contrapartida, o humano torna-se outra coisa: por exemplo, as capacidades intelectuais ou se tornam informáticas, capazes das maiores realizações, mas incapazes de contextualizar, ou regridem para o nível da simples enunciação do monossílabo; a sexualidade humana ou vive as épocas de cio animal ou se torna pura e simplesmente indiferenciada. Apanhado no meio deste paraíso, um psiquiatra, ex-alcoólico, ex-prisioneiro, quase ex-católico é a personagem principal.