11 de junho de 2004

A minha amiga Sónia Coimbra, a propósito do 10 de Junho, enviou-me o seguinte soneto de Camões. Se por ele confessou ter-se encantado, eu percebi este encanto na dificuldade dos últimos três versos.

Ditoso seja aquele que somente
Se queixa de amorosas esquivanças;
Pois por elas não perde as esperanças
De poder nalgum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando ausente,
Não sente mais que a pena das lembranças;
Porque, inda que se tema de mudanças;
Menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado
Onde enganos, desprezos e isenção
Trazem o coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado
De erros em que não pode haver perdão,
Sem ficar na alma a mágoa do pecado.