13 de junho de 2004

«“Mas não foi sempre assim ao longo dos séculos?” Dizei antes que se os homens do dinheiro dispuseram frequentemente dos proveitos do poder, esse pode nunca pareceu legítimo a ninguém, nunca teve, nunca terá uma legitimidade do Dinheiro. Quando o interrogam esconde-se, mete-se na toca, desaparece debaixo o chão. Mesmo hoje, a sua relação em relação à sociedade que controla não difere muito do moço da quinta que dorme com a sua patroa, viúva e madura. Empocha os benefícios, mas em público chama à sua amante “nossa patroa” e fala-lhe de boné na mão. Glorificam-se as rainhas da beleza, as estrelas de cinema. Não imaginais um Rockefeller acolhido na gare do Nord pelos aplausos das mesmas pessoas entusiasmadas que se comprimem em torno de Tino Rossi. (…) O dinheiro é soberano, seja. No entanto não tem qualquer representante oficial, como uma simples potência de terceira categoria não figura nos cortejos em uniforme de gala. Vedes nele o juiz, de vermelho e pele de coelho (…) os deputados de fato preto. Mas não vedes lá o rico – embora ele pague as despesas da festa (…)» - Georges Bernanos, Os grandes cemitérios da lua, Livros do Brasil, 28.