17 de maio de 2004

Recebi via mail - José António Henriques. Se Isto É Um Homem, de Primo Levi. Trata-se de um testemunho seco e minucioso sobre a ofensa que o homem fez ao homem. Primo Levi resistiu a Auschwitz-Monowitz, fruto de várias circunstâncias como contrair escarlatina no momento da evacuação do campo pelos SS, que abandonaram os doentes à sua sorte. Quanto ao Lager (campo de concentração/extermínio) sintetizou-o como o inferno dos nossos dias, onde “a luta para sobreviver é sem remissão, porque cada um está desesperada e ferozmente só.” Os homens, sem nome, sem bens materiais, sem direitos, são Häftlinge (judeus, criminosos e políticos), hóspedes do Lager, e constituem uma massa uniforme de sujeitos às riscas que protagonizam entre si uma luta desigual pela sobrevivência. A lei do Lager dizia: “come o teu pão e, se puderes, o do teu vizinho”, de modo que cada Häftling (com desvantagem para os judeus) procurava fazer parte da classe dos homens que se salvam, embora sucumbir fosse o mais simples e acessível. Se Isto É Um Homem relata a redução do homem à sua mera animalidade já que praticamente todas as condições que identificam um homem são, naquele espaço, violentamente subtraídas. Respondemos a Primo Levi que: não, isso não é um homem.