3 de maio de 2004

«“Jesus era Deus?”, e segundo: “sabia Jesus que era Deus?” Estas são questões urgentes e importantes, mas precisam de ser redefinidas antes de poderem ser tratadas. O problema é que a palavra deus ou Deus simplesmente não designa o mesmo para todas as pessoas (…) O resultado pode ser muito drástico: se eu responder sim às questões mencionadas, a maioria dos ouvintes vai ouvir-me afirmar algo que não acredito como verdadeiro. Eu não acredito que Jesus possa ser identificado com o ser que a maioria das pessoas na nossa cultura acredita como a denotação da palavra deus. O que a maioria das pessoas vê na palavra deus na recente cultura ocidental é o deus do deísmo iluminista. Um ser fora e desligado deste mundo que pode talvez ser o responsável num sentido ou noutro pela criação do mundo; ele – talvez devêssemos dizer “isso” – é basicamente remoto, inacessível, alguém que certamente não se envolve na vida do dia-a-dia, e que deixa a dor do dia-a-dia ser como é. Nestes termos, pensar a “intervenção divina” é cair num erro categorial; para tal deus a “intervenção” está para além do que possa sonhar. Claro que muitos cristãos ansiosos por obter uma base teórica para o seu sentido da presença e poder de Deus, falam do mesmo Deus intervindo “miraculosamente” no mundo – dizendo, com efeito, que embora isso não devesse acontecer logicamente, Deus é maior que a lógica e assim pode quebrar todas as regras. Mas isto não é como a Bíblia fala de Deus. E isto, mais importante ainda, não é a visão de Deus que descobrimos em Jesus.» (Wright, Desafio de Cristo, 96-97)