26 de abril de 2004

Via mail (José António Henriques) A Lua e as Fogueiras de Pavese. O narrador Enguia, filho bastardo, sem pais, sem terra e sem nome, regressa à terra onde cresceu, após vinte anos por outras paragens. Guarda dentro de si algumas questões como: "quem sou?" ou "de onde sou?" A vida não lhe deu respostas, nem espera consegui-las. Tudo está consumado, e o narrador não coloca a questão "para onde vou?". O livro é um exercício terminal do próprio autor. Aqui não há amor nem esperança para as personagens. Mas não pode haver? - Não. A vida é cíclica como as estações, como as fases da lua. Tudo se repete, segundo o princípio do eterno retorno. O fatalismo do autor leva-o a considerar que não vale a pena continuar. O ciclo fecha-se em definitivo. Enguia constata tudo isto com relativa calma, e sai da terra que o viu crescer. Também Pavese sai do palco da literatura e da vida, suicidando-se.