30 de abril de 2004

Primeira parte de uma epístola de Efrém da Síria a um monge.
«Meu bem-amado no Senhor.
Quando desejardes dar alguma resposta, deves pôr em tua boca, antes de mais nada, a humildade, uma vez que sabes muito bem que por ela todo o poder do inimigo se reduz a nada. Tu conheces a bondade do Mestre que foi blasfemado e como Ele se fez humilde e obediente até à morte.
Filho meu, trabalha para firmar a humildade em tua boca, em teu coração e em teu colo, pois há um mandamento que a exige. Lembra-te de David que se vangloriava pela humildade e disse: "porque me humilho, o Senhor me libertou e abençoou" (Sal. 29 [30], 8-12). (…)
Se permanecerdes no estado de humildade, nenhuma paixão, qualquer que seja, poderá dominar-te. Não existe medida para a beleza do homem que é humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de dominar o homem humilde; e não há medida para sua beleza. (…)
Mantém a paz mesmo que te questionem. E quando te questionarem, fala usando palavras humildes (…) Não lamentes. Se a pergunta exigir extensa resposta, senta-te. Nunca fales enquanto os outros estiverem usando palavras de desprezo; mas, alegremente, não esqueças que os teus pensamentos devem ser: "não escutei palavras de desprezo". Presta a tua máxima atenção, porém, a toda palavra valiosa, pois está escrito: "se tu deixas passar a palavra e não a escutas, enganas-te a ti mesmo, filho meu no Senhor". (…)
No deserto em que te estabeleceste mantém esta maneira de agir e não fujas de um lugar para outro. Não te dirija à morada de ninguém para lamentar o que crês, muito menos por causa dos desejos do estômago. Não estejas em companhia do homem agitado e problemático, mas assegura-te que continuas com a tua vida silenciosa; não estejas também na boca dos irmãos.»

p.s.: Alterações a um mail que nos chegou via Marcus Lassance Pimenta da nossa responsabilidade.