16 de abril de 2004

Fica aqui esta citação por diversas razões. A primeira tem ver com o Nuno e com o Aviz. São largas as páginas neste volume que versam a questão do anti-semitismo; há um rasteio da longa história do anti-semitismo católico e protestante; há depois uma tentativa de ver o que se joga no Vaticano Segundo, em Martin Buber ou em Schalom Ben-Chorin.
Para além disso, há a Moraes. Um texto que em português faz esquecer que estamos perante uma tradução. Uma colecção com o título Teologia Nova. E uma perplexidade: o que é feito de coisas como estas? – Com tanta história sobre a bola, sobre vidas e más vidas, para quando uma história da edição portuguesa que explique as razões porque as editoras vêm e vão e porque não ficam algumas que deveriam ter ficado? – Talvez não fosse mau; pela memória e também pela pedagogia para o negócio que anda pelo mercado. Outras razões aparecem pela citação:
«Nestes tempos que são os últimos, não pode, nunca e em caso algum, comportar-se como uma teocracia político-religiosa. O seu destino é a diaconia espiritual. Em vez de erigir-se em império de forças espirituais e não espirituais foi-lhe dada a graça de ser ministério em forma de serviço. (…) Como poderia ela, neste tempo definitivo, buscar refúgio em métodos profanos, de estratégia e de intriga política, ou impor um poder? (…) Como poderia ela confundir-se com as forças deste mundo, identificar-se com um agrupamento humano, com um grupo económico ou social? (…) Sim, se a Igreja tivesse que medir a sua própria força no seu poderio profano, teria razão para desesperar; mas, se a sua força se achar na cruz de Cristo e na sua própria cruz, então a sua fraqueza é o seu poder e ela pode seguir o seu caminho sem receio, na consciência do triunfo da ressurreição, que de antemão lhe foi garantido. Foi-lhe prometido que ganhará a vida quando a perder.» (Hans Küng, A Igreja, 1º vol., Moraes Editores, Lisboa, 1967, 143-145.)